A expulsão dos juízes portugueses de Timor pode ter muitas razões políticas, mas deve servir para se reflectir em Portugal acerca dos juízes portugueses e dos seus erros que começam a ser constantes...
Anuncia-se com a alegria dos pacóvios um pacto da justiça, saído de uma tal Cimeira da Justiça, realizada em Tróia, e assinado pelos vários sectores da Justiça (magistrados, advogados, juízes, funcionários judiciais).
Não se sabe se os partidos políticos deram, ou vão dar, cobertura consensual a tal pacto, mas imagina-se que sim.
Há que dizer claramente: há que ser contra pactos de Justiça que colocam todos de acordo. A Justiça é por definição adversarial. Os vários actores têm que ter perspectivas diferentes. Se todos estão de acordo, algo de preocupante se passa.
É evidente que a Justiça portuguesa tem dois problemas essenciais: o da celeridade e o da executabilidade. Mas esses problemas têm uma solução muito simples, o reforço efectivo e nova gestão da Justiça e a simplificação legislativa. Ambas estão nas mãos do poder legislativo e executivo e da maioria que os sustenta, seja hoje, seja ontem, seja amanhã.
Contudo, esses mesmos problemas não precisam de qualquer pacto, até porqu…
José Sócrates precisa de António Costa e António Costa precisa de José Sócrates. O antigo primeiro-ministro arguido e suspeito de vários crimes precisa da protecção do actual primeiro-ministro. Por ser primeiro-ministro e por ser quem manda no interior do PS. O actual primeiro-ministro precisa de Sócrates pela influência que ele ainda tem dentro do PS, pelo seu carisma de uso interno de “resistente” e, sabe-se lá, se do dinheiro que ele ainda pode ter. Ou o tal Santos Silva por ele. Costa e Sócrates saem do mesmo ventre do PS mas constituíram famílias distintas. Silva Pereira, o ex de Sócrates que agora assessora Costa para o congresso do partido que também parece ter beneficiado dos favores do primeiro em Paris, é o elemento de ligação. O convite feito por Costa a Sócrates para a inauguração de um túnel rodoviário é, bem à vista de toda a gente e numa cerimónia pública, a expressão de um pacto e, obviamente, um gesto de desagravo político: que a justiça o trate bem, podia ter exortado…
Acredita, leitor, que o jornalismo e os jornais têm futuro, em Portugal? Se sim, peço-lhe que se dedique a um pequeno exercício, comodamente, no seu computador, hoje, amanhã, talvez durante dois ou três dias. Vá ao site Sapo24 (http://24.sapo.pt/jornais). Encontrará aí as primeiras páginas dos jornais diários (e semanários) portugueses, dito generalistas, com uma actualização diária (normalmente mesmo ao princípio da manhã). Esta exposição diária dos cinco matutinos que se publicam em Portugal (as que se juntam os semanários e as revistas também generalistas nos seus dias de saída) funciona como uma banca de jornais. Acredito que já poucas devam existir e acredito ainda mais que, onde existem, o que predomina são as revistas. Mas era assim em Lisboa, com os jornais bem à vista. As televisões talvez desenvolvessem algumas das notícias das primeiras páginas e as rádios também. Quem queria saber mais, comprava o jornal, ou jornais. Nunca foram caros, verdadeiramente. Vá ao Sapo24, leitor. …
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