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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2018

O fim do jornalismo português(2)

Numa zona central da cidade de Caldas da Rainha, capital do concelho com a mesma designação onde moro, existe uma loja que é um misto de papelaria/tabacaria/livraria, de escolhas criteriosas e pessoas simpáticas. É aí que compro regularmente algumas revistas (cinema, inglesas, e de vinhos, portuguesas) e os jornais ao sábado.  As publicações estão bem arrumadas e há uma particularidade significativa: os jornais (diários e semanários) estão num canto dispostos num escaparate à altura do tornoze e quem quiser ver-lhes as primeiras páginas tem de curvar-se. Ao contrário, as revistas “sociais” e de televisão (também “sociais”) estão na linha de visão de uma pessoa de estatura média, mesmo à direita da caixa e no que pode ser considerada a zona nobre da loja. Numa banca de rua, a poucos metros, onde o espaço está mais condicionado, os jornais do dia nem se vêem a um primeiro relance. Mas as revistas, “sociais” e outras, lá estão, bem à vista. O computador pessoal que uso, com o sistema operati…

O fim do jornalismo português (1)

Acredita, leitor, que o jornalismo e os jornais têm futuro, em Portugal? Se sim, peço-lhe que se dedique a um pequeno exercício, comodamente, no seu computador, hoje, amanhã, talvez durante dois ou três dias. Vá ao site Sapo24 (http://24.sapo.pt/jornais). Encontrará aí as primeiras páginas dos jornais diários (e semanários) portugueses, dito generalistas, com uma actualização diária (normalmente mesmo ao princípio da manhã). Esta exposição diária dos cinco matutinos que se publicam em Portugal (as que se juntam os semanários e as revistas também generalistas nos seus dias de saída) funciona como uma banca de jornais. Acredito que já poucas devam existir e acredito ainda mais que, onde existem, o que predomina são as revistas.  Mas era assim em Lisboa, com os jornais bem à vista. As televisões talvez desenvolvessem algumas das notícias das primeiras páginas e as rádios também. Quem queria saber mais, comprava o jornal, ou jornais. Nunca foram caros, verdadeiramente. Vá ao Sapo24, leitor. …