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A mostrar mensagens de Abril, 2017

Anestesia Colectiva

O mundo está aos trambolhões. Desde o Brexit, a Trump, ao Lava-Jato, à transição em Angola, às eleições francesas, os paradigmas a que nos habituámos estão em mudança. No entanto, olhamos para Portugal e a discussão é à volta do Benfica, do Sporting e das vacinas (esta última discussão até é importante e devia alertar para os perigos das amizades em demasia com a natureza: o comunismo vermelho fanático do século XX, tornou-se no ambientalismo verde fanático do século XXI..., mas esta é outra questão para discussão noutra altura). Contudo, Portugal é um país sem destino. Tem uma justiça que nem numa caricatura pode ser espelhada, uma economia que agoniza (apesar de estatísticas "positivas" que se sucedem, mas só devem alegrar alguns funcionários partidários que sempre tiveram emprego). Sobretudo, o país vive uma espécie de "vingança de Sócrates". Aqueles que apoiaram o desvario socrático estão de volta (mesmo já não se atrevendo a defender Sócrates) malham em Passos C…

O "milagre" português: mendigos e turistas

Portugal vive duas realidades. Uma descrita na imprensa, pelos comentadores e sibaritas afins. Um país em que tudo vai no melhor dos mundos e melhor estará daqui a uns meses.  Depois, há o país de quem anda nas ruas. Uma das coisas mais impressionantes é a quantidade de mendigos. Estão por todo o lado, surgem por todo o lado. E não são aqueles romenos, que justa ou injustamente, são acusados de pertencer a redes organizadas. Parecem ser pessoas sem pão e sem solo. E este é um facto, o número de mendigos aumentou e muito em Portugal.Quem se preocupa com eles? O Presidente da República parece que sim. Esperemos que não seja como a história do cão que só serviu para umas capas de jornal... Além dos mendigos, os desempregados que conhecia, continuam desempregados, os empresários que conheço continuam sem perspectivas de melhorias e desanimados. Por isso, não percebo onde está o crescimento? O metro tem as escadas rolantes avariadas. Os comboios para o Porto cheiram mal e estão enferrujados.…

O imposto europeu sobre os excedentes externos alemães

Lord Palmerston, antigo primeiro-ministro inglês, dizia que os países não têm aliados eternos, mas interesses eternos. É óbvio que esta é a regra básica da diplomacia internacional, por isso é ridículo os discursos que se fazem em Portugal e noutros países sobre a solidariedade europeia. Não existe, nem tem que existir. Quando muito há um bocadinho para a fotografia, e pouco mais.  Assim sendo, quando Portugal se põe na pedinchice à Alemanha, invocando o espírito da solidariedade europeia, está a perder tempo e dignidade soberana. No entanto, há um ponto em que Portugal e muitos outros (como Trump) têm razão, a Alemanha tem beneficiado com o Euro nas suas transacções externas. Esta moeda por ser mais fraca na relação cambial que o antigo Marco Alemão, facilita as exportações alemãs e cria um dos desequilíbrios mais acentuados na União Europeia, o dos excedentes externos alemães. Este desequilíbrio também é severamente perturbador do normal funcionamento da Zona Euro, tal como as dívidas …

Dia das mentiras ou ano das mentiras?

Lê-se no jornal  que Centeno foi sondado para ocupar o lugar (inexistente nos Tratados) de Presidente do Eurogrupo. Só se pode calcular que seja a mentira do 1 de Abril, que eleva à potência máxima a mentira que este ano tem sido em Portugal. Dizem que temos um romance institucional entre Presidente da República e Primeiro-Ministro, mas a realidade é que foi o PR que esfrangalhou a estratégia do Governo para a CGD. Vamos agora ver os estragos que o arauto Marques Mendes vai fazer acerca do Novo Banco... Mas, a alta política (ou baixa) não é o mais importante. Importante é a falácia que corre sobre a economia.Anuncia-se que tudo vai no melhor dos mundos, o déficit baixo, a economia a crescer, o desemprego a descer, e etc. Não acredito num milímetro que seja destas notícias. A economia portuguesa está enferma desde 2000. Não tem competitividade, produtividade, flexibilidade. Não adquiriu nada disto este ano. Talvez tenha tomado um copo de espumante que a inebriou um pouco...Mas estruturalm…