O imposto europeu sobre os excedentes externos alemães

Lord Palmerston, antigo primeiro-ministro inglês, dizia que os países não têm aliados eternos, mas interesses eternos. É óbvio que esta é a regra básica da diplomacia internacional, por isso é ridículo os discursos que se fazem em Portugal e noutros países sobre a solidariedade europeia. Não existe, nem tem que existir. Quando muito há um bocadinho para a fotografia, e pouco mais. 
Assim sendo, quando Portugal se põe na pedinchice à Alemanha, invocando o espírito da solidariedade europeia, está a perder tempo e dignidade soberana.
No entanto, há um ponto em que Portugal e muitos outros (como Trump) têm razão, a Alemanha tem beneficiado com o Euro nas suas transacções externas. Esta moeda por ser mais fraca na relação cambial que o antigo Marco Alemão, facilita as exportações alemãs e cria um dos desequilíbrios mais acentuados na União Europeia, o dos excedentes externos alemães.
Este desequilíbrio também é severamente perturbador do normal funcionamento da Zona Euro, tal como as dívidas e os déficits. A realidade é que o excedente externo alemão interfere obviamente na cotação do euro, fazendo-o subir face  às restantes moedas. E assim sendo prejudica a competitividade das exportações de outros países da Zona Euro como Portugal. Isto quer dizer o seguinte, o excedente alemão prejudica Portugal. Como se poderá dizer que a dívida portuguesa prejudica a Alemanha. Contudo, só existe preocupação com a dívida, mas não com o excedente. 
A própria chanceler Merkel já reconheceu que a Alemanha beneficia com o Euro mas afirmou não poder fazer nada quanto a isso. Copiemos a citação da Reuters sobre o tema "A chanceler alemã Angela Merkel sugeriu (...)que o euro está muito depreciado para a Alemanha, mas deixou claro que Berlim não tem poder para resolver o problema pois a política monetária é determinada pelo Banco Central Europeu, que é independente."Temos no momento na zona do euro claro um problema com o valor do euro", disse Merkel numa menção incomum sobre política cambial."O BCE possui uma política monetária não orientada para a Alemanha, em vez disso, é adaptada (para países) de Portugal a Eslovênia ou Eslováquia. Se ainda tivéssemos o marco (alemão) ele teria com certeza o valor diferente do que o euro tem no momento. Mas essa é uma política monetária independente sobre a qual eu não tenho influência como chanceler alemã."
Portanto, a própria chanceler reconhece o benefício alemão.
Face a este benefício, há uma solução óbvia na doutrina económica. A criação de um imposto. Temos aqui um ganho "free riding". Ora a forma de compensar esse ganho é criar um imposto que obviamente servirá para compensar os países prejudicados pelo excedente alemão. 
É isto que Portugal e outros países como a Itália têm que exigir da Alemanha. Não solidariedade, mas o pagamento de um imposto pelo benefício que recebe do valor do Euro que provoca o seu excedente económico e prejudica a competitividade das exportações dos outros países.
Aplique-se pois um imposto ao excedente externo alemão.

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