Dia das mentiras ou ano das mentiras?

Lê-se no jornal  que Centeno foi sondado para ocupar o lugar (inexistente nos Tratados) de Presidente do Eurogrupo. Só se pode calcular que seja a mentira do 1 de Abril, que eleva à potência máxima a mentira que este ano tem sido em Portugal.
Dizem que temos um romance institucional entre Presidente da República e Primeiro-Ministro, mas a realidade é que foi o PR que esfrangalhou a estratégia do Governo para a CGD. Vamos agora ver os estragos que o arauto Marques Mendes vai fazer acerca do Novo Banco...
Mas, a alta política (ou baixa) não é o mais importante. Importante é a falácia que corre sobre a economia.Anuncia-se que tudo vai no melhor dos mundos, o déficit baixo, a economia a crescer, o desemprego a descer, e etc.
Não acredito num milímetro que seja destas notícias. A economia portuguesa está enferma desde 2000. Não tem competitividade, produtividade, flexibilidade. Não adquiriu nada disto este ano. Talvez tenha tomado um copo de espumante que a inebriou um pouco...Mas estruturalmente está na mesma. Se está na mesma, não vale a pena pensar que saiu do marasmo. Mesmo no pântano há uma ou outra ondulação...A carga fiscal é miseravelmente enorme. O desemprego mantém-se, e pelos casos que conheço pessoalmente não vejo que esteja a ser criado emprego. 
Ora podem anunciar números, que saberemos que não representam qualquer tendência, mas uns blips. É óbvio que com  uma falácia keynesiana não se retoma a economia. Porque ao contrário do que dizia o distraído Economist, a política deste governo não foi keynesiana. O que deu com uma mão, tirou com outra. É evidente que alterou as expectativas racionais das pessoas, e numa primeira fase a estratégia pode ter tido algum sucesso. Mas não tem sustentação.
Qualquer política económica para Portugal só terá sucesso com um misto de austeridade, que continua a ser prosseguida, e um Big Bang reformista. Sem o Big Bang reformista adiaremos embates que custarão muito caro.

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