Passos Coelho vs. António Costa. Parte 2: o PS consegue voltar a ser governo?

No primeiro debate com Pedro Passos Coelho, António Costa destacou-se pela sua agressividade e por ter um discurso radicalista, mais próximo na forma do discurso da extrema-esquerda e não voltado para o eleitorado que, a centro, vota no PSD ou no PS. Estava ao ataque.
Hoje, no segundo debate, Costa quis voltar a fazer o que já fizera no debate televisivo de 9 de Setembro. E fez: também não se aproximou do centro e, falhando como falhou numa questão tão importante como a da segurança social, não se mostrou muito preparado para o que quer – primeiro-ministro.
Neste segundo debate houve dois outros elementos fundamentais: a experiência parlamentar de Pedro Passos Coelho e a ausência de imagem. 
Passos Coelho quis, há uma semana, ter apenas pose de primeiro-ministro perante um opositor que sempre tivera uma má presença televisiva. Menosprezou-o, e decerto que muito convictamente. Mas Costa apanhou-o desprevenido. Guerrilheiro, o secretário-geral do PS somou alguns momentos que lhe terão parecido mais saborosos. 
A situação, no entanto, alterou-se hoje: Passos Coelho não ficou à espera e atacou à primeira oportunidade. 
Chamou a si a experiência que já adquiriu no plano político da União Europeia, usou também a experiência dos debates parlamentares (domínio vedado a Costa, que não é deputado desde as eleições de 2011) e aplicou duas estocadas de mestre: a insistência na segurança social, em que Costa ficou às aranhas, e a proposta para debater o tema com o PS logo a seguir eleições. 
Neste caso, também se mostrou mais forte: se ganhar e for o futuro primeiro-ministro, já mostrou que pode dialogar com o seu principal opositor; se perder, estará obviamente à frente do PSD... e preparado para outra? Ou seja: ao seu eleitorado, disse que continuava, antecipando-se a furar a tradição portuguesa que tem levado ao afastamento dos dirigentes máximos dos partidos derrotados.
A ausência de imagem (com o debate a aparecer só em diferido nas televisões) deu uma outra dimensão mais favorável ao momento: ouviram-se as vozes, apenas. E Passos Coelho tem boa voz e boa dicção. Costa, não. Balbucia, “come” sílabas. É a tradução oral da cara de pasmo que não consegue deixar de pôr quando está a prestar atenção ao seu adversário e quando às vezes parece sem ficar sem saber o que há de dizer.
Perante um primeiro-ministro que se mostrou bem preparado para debater as particularidades técnicas e financeiras das políticas que propõe, Costa não voltou a brilhar e não foi além de generalidades. 
E, desse modo, deixou uma dúvida: está melhor preparado para ser primeiro-ministro do que Passos Coelho?
Não parece ser esse o caso. E, com Costa e também graças a ele, o PS não parece estar preparado para voltar ao Governo. O que, aliás, também não merece.

Pedro Garcia Rosado

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