Nicolau e a insustentável leveza da ignorância-caviar

Nicolau Santos, o director- adjunto do Expresso, que representa a esquerda-caviar e esperava em breve voltar em breve ao champanhe e caviar da era socrática, espelha no seu texto de hoje (28-09-2015) no Expresso Curto o desespero e estupefacção que se apoderou dos bem- pensantes que acompanharam alegremente Sócrates na destruição do país.
Escreve o ilustre jornalista com indignação “E ninguém debate os últimos quatro anos, os 485 mil emigrantes que vão de engenheiros, economistas e médicos a investigadores, enfermeiros e bombeiros”. Esquece-se que a mobilidade do trabalho é uma das condições estruturais duma zona monetária como é o Euro. Portanto, o normal é quando um país está em crise, as pessoas emigem para um com melhores condições, dentro da mesma zona monetária (Euro). Se não queria emigração, não aderia ao Euro…
Acrescenta o ilustre jornalista ainda mais indignado “os cortes nos salários da Função Pública e nas pensões dos reformados, a desmotivação completa dos funcionários públicos”. O que queria Nicolau que se fizesse? Imprimir notas? O que já estava Sócrates a fazer? 
Sobre o emprego afirma Nicolau “, o emprego que está a ser criado (90% é precário), os 50% de portugueses que ganham menos de 8000 euros por ano, o facto de estarmos a trabalhar mais 200 horas por ano e a ganhar em média menos 300 euros”. É melhor criar emprego do que não criar. É um facto que um emprego é um problema grave e estrutural nas economias modernas. Qual a alternativa que o PS apresenta ao PaF? Que novos empregos tem criado o jornal que Nicolau dirige?
Acrescenta com um jacto quase orgástico “ o descalabro na educação (com o silêncio ensurdecedor de Mário Nogueira e da FESAP, ao contrário do que aconteceu quando Maria de Lurdes Rodrigues era ministra da Educação), a miséria que se vive no Serviço Nacional de Saúde (onde muitos profissionais são obrigados a comprar luvas ou a fazer garrotes com material improvisado), os medicamentos que faltam nas farmácias e só estão disponíveis daí a dois dias, a machadada que levou a ciência e investigação, os problemas que se continuam a verificar na justiça, a inexistência de respostas ao envelhecimento da população (em 2014 já havia mais de 4000 pessoas acima dos 100 anos em Portugal e há 595 mil portugueses com mais de 80 anos), a irrelevância do ministro dos Negócios Estrangeiros, a fragilidade da ministra da Administração Interna, as múltiplas garantias de Passos Coelho que foram sempre desmentidas por decisões do próprio Passos Coelho, o programa da coligação que não se discute porque não existe, etc, etc.”
Sobre a Educação, tem razão Nicolau, mas o problema não se resolve com a Escola Pública, conformista e uniformizadora como pretende o PS, o problema resolve-se com diversidade, liberdade e autonomia. Sobre o SNS, tem razão Nicolau. Aqui nota-se uma das grandes falhas do governo. 
Acerca da Ciência e investigação criou-se um mito com Mariano Gago. Que ciência e investigação há realmente em Portugal? Não há. Há apenas marketing e participação em equipas internacionais. E Portugal o que precisa é de professores que ensinem, estejam nas universidades, cuidem dos alunos, estudem as matérias, e não de ocos burocratas cuja especialidade é inventar projectos de investigação para obter fundos da União Europeia. Antes de haver ciência tem que haver ensino, o resto é uma conversa de tolos.
Sobre a Justiça o problema é grave, a ministra é incompetente e com tiques fascistas. Tudo piorou, mas piorou na linha já iniciada por Sócrates.
O PaF não trouxe o céu azul, apenas afastou umas nuvens, falhou na Saúde, na Justiça e encaminhou o país para uma ditadura fiscal. No entanto, afastou do abismo para onde Nicolau e os seus amiguinhos nos levaram…Por isso….

Temístocles Menor

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