Mais um santo: Santo António Guterres

Não vale a pena repetir o que tem sido dito sobre António Guterres.
Fica a esperança que um mau primeiro-ministro de Portugal seja um bom secretário-geral da ONU. Fica a esperança que Guterres não desonre o seu nome e o do seu país como fez Durão Barroso, a quem para a sua dignidade e imagem a pior coisa que lhe aconteceu foi ser Presidente da Comissão Europeia.
Fica também a esperança que a Guterres não aconteça o mesmo que a Freitas do Amaral que julgava que ia mudar o mundo quando assumiu a Presidência da Assembleia Geral da ONU e acabou humilhado pelos norte-americanos. Mas Freitas do Amaral soube trazer algo de útil para Portugal, que foi criar um curso de Direito inspirado nas práticas mais avançadas dos EUA (desconheço se tal espírito se manteve até hoje, ou se o curso de Direito da Nova se tornou mais um repositório do inefável conservadorismo jurídico português).
Sejamos claros, estes cargos internacionais são essencialmente bons para quem os ocupa, não para o povo a que pertence determinado indivíduo. O que adiantaram Ban Ki Moon à Coreia do Sul, Perez de Cuellar ao Perú ou Kofi Annan ao Gana?
Portanto, haja esperança. Para já, e segundo o que foi relatado pela imprensa portuguesa, Guterres apresentou-se algo tolo e messiânico querendo "mudar" e "reformar". "Mudar" e "reformar" o quê?
A ONU é uma organização imperfeita criada pelas potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial, tem características inter-estaduais e não supra-estaduais. Não é um governo mundial, nem deve ser. Há que não perder isto de vista.

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