Eu, votante no “Presidente Marcelo”, decepcionado me confesso (2)

José António Saraiva escreveu no “Sol” que Marcelo Rebelo de Sousa poderia ser um Presidente perigoso, capaz de intercalar a sua prática institucional com a criação de “factos políticos”. Enganou-se, também: essa faceta fascinante do antigo comentador terá ido, com mais algumas coisas, para o caixote de lixo da História. O “criador de factos políticos” foi com o cão oferecido ao Presidente da República: para parte incerta, já sem retorno.
Marcelo Rebelo de Sousa pode ser o campeão dos “afectos” e da “felicidade nacional”, pode até acreditar que o “populismo” que gera e tenta gerir é “bom” (por oposição aos outros “populismos” que são “maus”), que quanto mais “selfies” tirar mais facilmente se lhe abrirão as portas do Céu, que a democracia constitucional lhe exige o apoio cego ao governo PS-BE-PCP com o vigor de um quadro socialista da província esperançado num lugar no Estado, que quem não apoiar o governo em funções e não gostar de futebol é mau português e mais uma série de coisas que nem sequer é recomendável pormenorizar, nem mesmo como hipótese. 
Dizia-se de Cavaco Silva, e isso punha toda a esquerda histérica, que favorecia o governo anterior. Era, para os seus críticos, um crime horrendo. Agora, o apoio militante do actual chefe do Estado ao actual chefe do Governo já não indigna ninguém. 
E a sua intervenção pública cansa. 
Marcelo Rebelo de Sousa fala de tudo e de mais alguma coisa. Todos os dias. E várias vezes por dia. E contradiz-se (não lembra ao careca, como ele costumava dizer, elogiar António Domingues para depois dizer que Paulo Macedo é que afinal é bom). E repete-se. Derrama-se pelo Facebook e pelo site da Presidência. Faz declarações à Imprensa. Condecora todos e mais alguém. E até já anuncia quando é que vai “reagir” sobre o assunto do momento. 
Que importância terá, no meio desta algazarra, qualquer declaração que faça sobre um assunto que possa ser melindroso? A sua importância estará sempre limitada pelo cerco seguinte que os jornalistas lhe fizerem para o ouvirem falar sobre tudo e mais um par de botas.
Não é este o Presidente da República que gostaria de ter tido e em quem votei.

Pedro Garcia Rosado 
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