Fidel Castro e Cristiano Ronaldo. Ditadura e Fisco.

Fidel Castro e Cristiano Ronaldo têm sido temas presentes nos media dos últimos tempos. 
Um morreu e discute-se se foi bestial ou uma besta. Outro era sempre bestial e agora querem-no transformar em besta por causa de umas questões fiscais.
Comecemos por Fidel, tem sido desenvolvida uma teoria elaboradíssima sobre o bom ditador e o mau ditador. Não percebi a teoria, mas o resultado é que Fidel é bestial e Pinochet uma besta. A realidade é que a intelectualidade europeia tem estado sempre do lado errado nos últimos 60 anos. Portanto, é como as críticas culturais do Expresso. Os filmes de que dizem mal, são os que se devem ver. Aqueles que são elogiados, devem ser evitados. Com os ditadores é a mesma coisa. Aqueles que são elogiados pelos media e pelos intelectuais (ou pseudo) são geralmente infrequentáveis. Quanto aos outros,  merecem pelo menos um segundo olhar, mesmo que seja crítico.
Os que agora elogiam Fidel são os mesmos que elogiaram Estaline e Mao Tse Tung.Que viram em Idi Amin um herói da luta anti-colonial e em Bokassa um símbolo da africanidade.
Falemos da Cuba de Fidel. Em Cuba há eleições. Contudo, apenas existe um único Partido. O Partido Comunista de Cuba. Os deputados à Assembleia Nacional do Poder Popular são eleitos em circunscrições uninominais em que só concorre um candidato, previamente aprovado pela Comissão Nacional de Candidaturas. Não parece que isto seja uma democracia, é mais uma ditadura plebiscitada de forma controlada.
Todavia, os defensores de Cuba costumam falar dos grandes progressos na medicina e na saúde alcançados pelo regime comunista. Sim, Cuba situa-se numa 67.ª posição do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, entre a Sérvia e o Líbano, considerando-se que tem um desenvolvimento humano elevado. E tal desenvolvimento humano resulta dos resultados em educação e saúde e não de crescimento económico. No caso do crescimento económico, Cuba é atirada para baixo da tabela para o 79.º lugar. 
Portanto, desde já uma coisa é certa: Fidel garantiu que Cuba continuasse um país pobre e sem democracia liberal. Conseguiu também que Cuba apresentasse boas estatísticas em termos de educação e saúde. Sobre a saúde cubana nada sei. Sobre a educação tive alguns contactos, e pareceu-me estar perante uma formação pouco consistente e sem qualidade. Possivelmente,os critérios de realização foram os critérios stakanovistas idealizados por Estaline que acreditava que a quantidade era uma qualidade. Em suma, há que desconfiar destas estatísticas, pelo menos ao nível da educação.
Por comparação com outro ditador famoso, mas este execrado pela intelectualidade, Pinochet. Este saiu voluntariamente do poder, após um plebiscito que perdeu, mas deixou um Chile reformado e em prosperidade, que hoje ocupa o 42.º lugar no IDH (à frente de Portugal!).
Fazendo um balanço, não se percebe a vantagem de Cuba em ter Fidel à frente dos seus destinos, nem os entusiasmos que suscita, a não ser em mentes pequeno-burguesas que no seu sofá imaginam aventuras românticas nos trópicos com as barbas e os charutos de Fidel.
Em suma, Fidel nunca mais.
Quanto a Ronaldo, a conversa é outra. Os jornais estão cheios das alegadas fugas ao fisco de Ronaldo. Enjoa. Talvez se devesse perguntar por que razão Ronaldo se sente estimulado, aparentemente, a fugir ao fisco. Não terá o fisco na Europa chegado já a patamares insuportáveis? Não será um roubo encapotado pelo selo estatal? Há que reflectir bem no tema. Que a eventual fuga ao fisco de Ronaldo não sirva para o crucificar, mas para uma profunda reflexão sobre a ditadura fiscal em que vivemos. Outra dúvida também se coloca, Ronaldo, português, com investimentos em Portugal (acho) não paga impostos em Portugal? Era bem melhor conceder-lhe um regime fiscal favorável e fazê-lo pagar impostos em Portugal, do que deixá-lo andar por aí fora a pagar impostos a outros.

Estas são duas reflexões sobre as notícias da actualidade.

Rui Verde

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