O imposto sobre a flatulência (tribute-se o peido)

Uma modesta proposta para prevenir que a “geringonça” não cumpra o défice e para tornar a flatulência benéfica para a República: tribute-se o peido

É motivo de melancolia para aqueles que passeiam por este grande país verem por todo o lado tanta gente que pode andar a fugir aos impostos, ou que esconde o dinheiro que tem, ou que não tem nada a que o Estado lhe possa deitar a mão para compensar o facto de, pela sua condição económica, fazer parte da metade da população que não tem rendimentos para pagar IRS.
Imagine-se, o que é ainda pior, que essa gente não tem casa própria onde dê o sol, que não tem carro próprio, que não bebe coisas doces – como é que raio é que poderão ser ainda mais tributados em sede de IMI, em sede de ISPP e em sede de imposto dos açúcares estrangeiros?
Por uma única coisa, por aquilo que toda a gente produz e que eles também. E com um efeito multiplicativo que talvez resolvesse mais rapidamente o problema do défice e pudesse contribuir para um efectivo aumento salarial da função pública.
Ou seja: o peido. 
Ou, se o leitor for mais sensível, a flatulência.
A grande maioria da flatulência emitida pelos seres humanos não passa despercebida. Pelos outros seres humanos, claro, porque se for o próprio individuo… bem, é lá com ele. 
É isso que denuncia o autor da flatulência. A sua quantidade pode ser aleatória, variar ao longo do dia e da noite, ter som ou não, tocar as narinas das cinco pessoas mais próximas ou da 20 que o rodeiam.
E o truque fiscal está aí. Basta o cheiro – com esse indício, que nenhum tribunal fiscal e administrativo nem o Tribunal Constitucional poderão pôr em causa, poderia o Fisco intervir e cobrar imposto. 
Mas… depois de a coisa ter acontecido? Não, no momento: bastaria lançar sobre as multidões equipas de inspectores-cobradores de faro apurado. 
Até porque o mecanismo pode ser “simplex”. O imposto sobre a flatulência não seria aplicada ao putativo flatulente mas a todas as pessoas que estivessem no preciso local da flatulência. Porque qualquer um poderia ser o flatulente e porque o efeito cumulativo seria fiscalmente mais aconchegante. E porque, se não fossem atingidos pelo imposto, não quereriam fazer a conveniente pressão social em prol da correcção intestinal.
Imagine-se, agora, o acto único da flatulência tributado a 1 euro. Admite-se que haja peidos susceptíveis de valerem mais (os dos capitalistas, por exemplo) mas ficariam de reserva para outro Orçamento de Estado. 
Numa multidão de 20 pessoas, num simples momento de minutos, seriam logo 20 euros. E por aí adiante: os transportes públicos a ruas mais frequentadas, passando por restaurantes, centros comerciais e manifestações desportivas e políticas e festivais de música, poderiam recolher-se por todo o País milhares de euros todos os dias.
Com um argumento bem “verde”: seria para defender o ambiente.
Quem é que, neste governo de gente tão esclarecida e sabedora de tudo aquilo que é correcto, poderia rejeitar uma tão modesta proposta? Que, aliás, ficaria muito ao seu nível…

Pedro Garcia Rosado

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