Esqueceram-se do BESA?

Andam entretidos com a parvoíce da entrega das declarações de património e rendimentos do Dr. Domingues, deixando a CGD à deriva, numa manobra de contornos tão estranhos, como estranha tem sido a inépcia de Costa a lidar com o assunto, mas esqueceram-se de uma situação bem mais grave.
No já nebulado Verão de 2014, o país assistiu com estrondo à queda do Banco Espírito Santo (BES) e do seu chefe Ricardo Salgado. Percebeu-se e foi dito por muitos, incluindo Pedro Santos Guerreiro, agora emoliente director do jornal Expresso, que uma das causas essenciais do "buraco" do BES era de origem angolana, designadamente do Banco Espírito Santo de Angola (BESA). Este banco tinha concedido créditos no valor de 5 mil milhões de euros a entidades desconhecidas e devia 3 mil milhões de euros ao BES Portugal. No meio da história houve uma garantia soberana irrevogável do Presidente de Angola, que foi revogada quando se aproximava o momento do pagamento...
Mas o interessante é que já está mais ou menos estabelecido que uma boa parte dos milhões emprestados foi-o a membros do MPLA e da família presidencial, que não os devolveram. O BESA financiou os chefes do regime angolano e ficou sem o dinheiro. Quem tapou esse "buraco" foi o governo português com o dinheiro do seu tesouro nacional, i.e. com o dinheiro dos seus cidadãos.
Contudo, no final, o BESA foi transformado no Banco Económico e pertence hoje à Sonangol, que detém 40 por cento. A Sonangol é presidida por Isabel dos Santos. Além da Sonangol, é accionista relevante no Banco Económico, contribuindo para o seu controlo, o Grupo GENI, com 19, 90 por cento. Este grupo está também associado a Isabel dos Santos e ao general Leopoldino do Nascimento, homem-forte de José Eduardo dos Santos e antigo chefe das comunicações presidenciais. 
Portanto, o antigo banco dos portugueses Espírito Santo foi parar às mãos da filha do presidente de Angola e seus associados, depois de ter emprestado dinheiro sem garantias nem identificação aos próceres do regime angolano.
Repito para se perceber bem. O BESA pertence hoje a Isabel dos Santos. O BESA quase faliu porque emprestou milhões a dirigentes angolanos ( e talvez a alguns portugueses ligados à família ES), que não pagaram esses empréstimos. Foi o Estado Português que directa ou indirectamente suportou essas perdas, para no fim ficar sem o banco e o entregar à filha do Presidente.

Novela diferente, mas com resultado idêntico passa-se agora com o BPI....mas isso será tema de outra nota destas.

Talvez fosse bom pensar nisto.
Rui Verde

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