A palhaçada não foi já longe demais?

Deveria haver limites para a imbecilização de um povo. O que se tem passado em Portugal nos últimos meses parece comprovar o contrário.
Comecemos pelo mais grave. Por estes dias foi apresentado ao país um orçamento. Foi tudo muito confuso, por isso, começou-se por não se perceber nada, para além da retórica do costume. 
De repente, contudo, percebeu-se que o orçamento apresentado era falso! Falso, não no sentido de os números lá apresentados serem falsos, mas no sentido de as premissas que foram apresentadas serem falsas. Onde se julgava que o governo gastava mais, afinal gasta menos. Todo o sentido estratégico do orçamento foi falseado. Afinal, há mais ou menos despesa, a receita subiu ou desceu ? Não se percebe bem. 
Ou seja, voltámos ao tempo das "engenharias" de Sócrates, estas não realizadas por ele, mas por aquele senhor a quem deram uma medalhinha e agora trabalha para a ditadura angolana. Na altura, desorçamentou-se, modificaram-se perímetros orçamentais, "trinta por uma linha" para fingir que as contas estavam controladas. Depois, foi o que se viu...
Agora também se entrou em mirabolantes manipulações, que pelo menos um feito terão. Retiram qualquer credibilidade aos números do governo. Bem se podem queixar de Schauble...ele tem razão. Instalou-se uma bandalheira técnica para permitir camuflar os disparates em curso.
Quando se esperava que o Presidente interviesse utilizando o tradicional poder moderador oferecido ao Chefe de Estado português desde os tempos de 1826, este delicia-se a concretizar sonhos de infância e visitar Fidel Castro. Sorte a nossa não ter o sonho de infância de ir a Marte, senão lá tínhamos que pagar 200.000 dólares a Elon Musk para reservar o bilhete na viagem espacial prevista para a seis anos, muito possivelmente no segundo mandato de Marcelo.
Outra palhaçada é a participação na CPLP. Finalmente, percebeu-se porque Angola impôs a Guiné Equatorial nesta cooperativa. É que agora tem um ditador pior que ele e todos se esquecem da ditadura angolana, enquanto se entretêm a vociferar contra Obiang.
Contudo, Portugal podia ter um bocadinho de dignidade e dizer algumas palavras sobre as várias ditaduras e desmandos que vão por essa lusofonia fora. Foi confrangedor ver o presidente a fugir ao assunto. A vergonha da roubalheira na Guiné Equatorial, em Angola e em Moçambique, onde o Presidente luso se foi divertir a dançar em vez de enfrentar a realidade tenebrosa em que esse país caiu.
Entretanto, não se percebe muito bem o que fazem com Guterres a reboque. Mas isso já não é um problema nosso.
Era tempo de começar a preparar uma alternativa a esta brincadeira que têm sido os passados seis meses.

Temístocles Menor.

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