A onda. BCP, China, Trump, PIB e outros

Naquilo a que pomposamente se chama o espaço público, existe em Portugal um tendência para formar ondas avassaladoras que tudo arrastam, e quem não vai nessa onda é insultado com vários epítetos cada vez mais imaginosos: labrego, gordo, estúpido, diabético, carnívoro, amigo dos judeus, anti-semita, fascista, ignorante, apoiante de Passos Coelho, etc.
Ontem foi a vez de anunciar com alegria providencial a entrada da Fosun no BCP, ligando este acontecimento à subida das acções do banco, uma euforia. Uma euforia mentirosa. As acções do banco não subiram. Tiveram subidas ao longo do dia, mas fecharam em queda, que continua hoje à hora em que escrevo (9.39). Não percebo como se mente tão descaradamente.
Aqui vão os números oficiais com o respectivo link ao BCP. Ontem dia 21 de Novembro às 8.27 as acções BCP transaccionaram-se a 1,2970. Às 16.39 já tinham caído para 1,2439. Hoje às 9.21 estavam a 1,2377.Ver cotações publicadas pelo BCP.
Houve um pico, e a partir daí as acções não se aguentam. Estão instáveis.
Há uns anos a moda era Angola, todo o político, gestor e comentador se babava com Angola e abraçava o capital angolano. Loas e loas eram tecidas. Hoje os mesmos olham com algum embaraço para os angolanos e comemoram os chineses. Contudo, a entrada da China através da Fosun não é uma boa notícia. A Fosun é uma empresa com endividamento excessivo que está obrigada a baixar rapidamente. Muito possivelmente, o BCP permitir-lhe-á realizar operações financeiras que possibilitem a diminuição desse passivo. Mas não vejo como é que uma empresa com problemas de dívida pode trazer liquidez para o BCP. Mas agora a onda é a China no BCP...
Outra onda é dizer mal de Trump e de tudo o que este faz. Ainda não houve um nomeado por Trump que obtivesse uma palavra de elogio da onda. São todos feios, porcos e maus. Nem vale a pena contestar. Trump foi eleito e quanto mais está a ser atacado mais a sua popularidade aumenta. 
Voltando a Portugal decidiu-se com base numa estimativa rápida do INE que a economia portuguesa está risonha e a crescer. Que há boas notícias na frente económica. Pois, contudo, desses 0,8%, 0,1% são devidos a uma venda de aviões a jacto à Roménia. Portanto, em termos ordinários o crescimento foi de 0,7% e não 0,8% e de certeza que os números vistos à lupa devem trazer mais dissabores. Nunca esquecer que o actual ministro da Economia Caldeira Cabral escrevia, em Setembro de 2009,  um artigo no Jornal de Negócios em que elogiava acriticamente os  números orçamentais falsos de Sócrates. Afirmava que  Despesa Pública para 2008 era de 45,8% do PIB, o que o levava a afirmar que o Governo Sócrates tinha descido com vigor a Despesa Pública...
 Na realidade, o número real era de 77,2%. Entre 45,8% e 77,2% (número real) vai um abismo de diferença. 
Parece que a mistificação socrática voltou como uma grande onda e quem duvidar da sua bondade é gordo e parvo. E talvez labrego.

Rui Verde

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