Presidenciais: onde está o Wally? (3)

E Marcelo Rebelo de Sousa conseguirá ganhar as eleições? À partida, sim. Pode dizer-se que tem tudo a seu favor, sobretudo por comparação com os restantes candidatos.
Não é um desconhecido e a exposição mediática está assegurada, pelo menos desde que passou da rádio para a televisão. Conseguiu, diante das câmaras, substituir a postura do professor catedrático e autor de pareceres jurídicos por uma atitude mais simpática e mais afectuosa, moderando-se nos comentários e procurando mostrar que sabe de tudo um pouco, como um divulgador e não um comentador. E até pode ganhar um apoio mais emocional de quem o vê transformado no “bombo da festa” dos restantes nove. Por outro lado, não renegou objectivamente a “família” política e partidária e a popularidade que ganhou também lhe abriu portas na “esquerda”, apesar de se situar no campo da “direita” e não apenas no domínio político.
Mas é aqui que pode estar a sua maior fragilidade.
Da incursão na festa do “Avante!” em vésperas de se apresentar como candidato presidencial ao modo como se foi criando alguma distância relativamente ao PSD e uma aproximação cautelosa ao PS de Costa, Marcelo pode ter perdido apoios e votos entre os eleitores do PSD e do CDS. E, não sendo esse o seu eleitorado exclusivo, é com ele que Marcelo pode contar, nas eleições ou depois, se chegar à Presidência da República.
Esta situação pode levar à abstenção nas eleições de 24 de Janeiro ou à deslocação de votos… talvez para o único candidato que apresenta um perfil mais sério e mais conservador, que é o caso de Henrique Neto.
E se Marcelo não ganhar à primeira volta, ganhará à segunda? Poderá pensar-se que sim, claro, mas tudo dependerá do outro candidato que passar à segunda volta e dos votos que consiga ter por parte do eleitorado dos restantes perdedores.
Portanto, Marcelo precisa mesmo de ganhar à primeira volta. E de ser mesmo o Wally de que ainda anda à procura o eleitorado conservador e/ou mais avesso a aventuras políticas (como a deste governo “das esquerdas”). Ainda haverá tempo para isso?

Pedro Garcia Rosado

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