Presidenciais: onde está o Wally? (2)

A “esquerda”, com os seus cinco candidatos, poderá vencer as eleições presidenciais? Não, e não será por completo arriscado dizer que nunca o conseguirá fazer, nestas eleições, à primeira volta.
As candidaturas do PCP e do BE visam apenas a fixação dos respectivos eleitorados, com as suas versões algo troglodita das respectivas prestações nas eleições legislativas, com discursos mais caceteiros do que os seus chefes partidários. 
O que dizem não é a pensar no exercício do cargo presidencial mas a pensar no que os militantes e eleitores do PCP e do BE querem ouvir. Poderá ser interessante especular sobre o que seriam os mandatos presidenciais de Edgar Silva e de Marisa Matias mas o assunto é mais sério do que isso, já basta o governo que existe actualmente e nenhum deles (nem as suas hierarquias partidárias) pensa na realidade que lá chegará.
E no PS? António Costa conquistou o Governo com uma frieza golpista que se julgava impensável no país dos “brandos costumes”. É possível que nesta fase, enquanto subsistem as ilusões, a escolha da candidatura presidencial fosse feita de maneira mais controlada e com todas as opções bem dentro do redil partidário. 
Mas o mal já estava feito. Num retrato também simbólico daquilo que é e sempre foi o PS, os seus três candidatos dão voz a três sensibilidades diferentes: Sampaio da Nóvoa é o candidato da esquerda do PS, da sua “terceira via” actualizada; Maria de Belém Roseira é a candidata dos apoiantes do “bloco central” dentro do PS, de um sector mais conservador; Henrique Neto é o sucessor de muitos outros candidatos derrotados, que se ergueram de margens do PS para onde rapidamente voltaram, uma candidatura marginal que também vive do relativo êxito mediático do candidato e que, ganhando algum ímpeto, pode ir buscar mais votos aos sectores conservadores do PS e a algum eleitorado conservador (que não consegue satisfazer-se com Marcelo Rebelo de Sousa).
Em qualquer dos casos, as eleições presidenciais, pelo menos à primeira volta, serão uma derrota para o PS. Nem vale a pena escondê-lo: a soma dos votos obtidos pelos três candidatos deve ser lida, com alguma maleabilidade, em função dos resultados obtidos pelo PS nas eleições legislativas de Outubro do ano passado, mas também fragmentadamente: qual é a tendência das três que obtém mais votos? E aproveitá-los-á para uso interno?



Pedro Garcia Rosado

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