O governo dos mágicos !

Assombro! Assombro é a palavra que explica o que sinto face às notícias que o governo transmite. O ministro da saúde anunciou que no fim das contas a passagem das 40 horas para as 35 horas semanais tinha ficado mais barata. Assombroso! Primeiro, ainda julguei que ficava mais barato trabalhar apenas 35 horas  do que trabalhar as 40 horas, mas depois percebi que não era assim tão assombroso. Afinal, somente a transformação tinha ficado mais barata que o previsto. Ainda que menos assombroso, assombroso na mesma.
Mas, assombro maior é o que resulta dos números da execução orçamental. Num país estagnado, o déficit diminui e a despesa, como asseverou o novo oráculo dos Domingos, está controladíssima. 
Temos um governo de mágicos!
O governo de Passos Coelho, Vítor Gaspar e Maria Luís, que têm aspecto de durões nunca conseguiu estes milagres- todos os meses havia derrapagens e rectificações-, agora surge Centeno de Harvard, com aquele ar de "nhanhas" e controla a despesa. Fantástico.
Qual a explicação para tal fenómeno, além de algum passe de magia? Poder-se-á alegar que é o efeito dos estabilizadores automáticos. Como o desemprego desceu, menos recebem subsídio. Além disso os prazos de concessão do subsídio foram encurtados, por isso deve haver muita gente, ainda que desempregada, que já não esteja a receber o subsídio de desemprego. Assim, este estabilizador automático, redução do desemprego implica baixa dos montantes gastos em subsídio de desemprego, teria uma aceleração dupla: menos desemprego e fim do prazo do subsídio, aliviando assim a despesa pública. Só vendo a despesa pública desagregada se poderá chegar a alguma conclusão real sobre este tema.
Outros alegarão que a diminuição da despesa é um mero artifício. O que se está a fazer é atrasar pagamentos. Portanto, a despesa contabilista do Estado está a aumentar, apenas o seu pagamento está a ser atrasado e é isso que permite dizer que a despesa diminuiu. Também para este argumento não disponho de dados suficientes para responder.
Uma coisa é certa, numa economia com "fundamentals" tão maus como a portuguesa, a experiência pregressa faz duvidar que uma baixa do déficit público seja real. A redução de um déficit resulta essencialmente do crescimento económico que se traduz em mais receitas. O corte das despesas na época dos Estados Sociais e mastodônticos é algo de muito difícil, e na realidade, além das notícias esparsas sobre atrasos de pagamentos por parte do Estado, não se viu nenhuma medida de contenção de despesas.
Por isso, para já, e até haver melhor informação, só podemos concluir que temos um governo de mágicos que tem efectuado uns notáveis passos de magia!!!

Temístocles Menor

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