Crónicas de Sete Rios: a triste brincadeira das 35 horas

O ideal era trabalhar 20 horas por semana, e consagrar o direito à preguiça na Constituição. 
Enquanto tal não acontece temos que viver com a realidade.
A realidade é que a função pública está a levar cortes há anos. O pessoal diminui. A experiência do pessoal diminuiu,e (talvez tirando o Fisco, que se tornou numa Polícia Secreta Política) os vários departamentos da função pública estão a funcionar mal.
Falo de casos concretos: um atendimento no SEF está a demorar muitas vezes mais de 6 meses, tornando muitas vezes os estrangeiros que querem viver em Portugal, entes ilegais sem direitos.
O ACT de Sintra está com atrasos superiores a 2 meses, não dando vazão às variadas necessidades dos trabalhadores.
No Hospital de Santa Maria há sempre falta de pessoal. As descrições dos doentes assemelham-se muitas vezes a um Inferno de Dante.
E mais casos poderia mencionar. Mas só estes exemplos permitem concluir que ou a função pública está mal gerida, ou tem falta de pessoal, ou os funcionários são preguiçosos. Não sei. Mas sei que as 35 horas ainda vão piorar o funcionamento de um Estado que não corresponde com os seus serviços às necessidades das pessoas em tempo útil. 
Nunca ninguém fez mais para acabar com o Estado Social do que o governo Sócrates, mas este governo vai ultrapassá-lo. Para que serve um Estado que não funciona? Como se aumenta a actividade dos funcionários públicos, quando está tudo atrasado e lento?
Ficam as questões. E chega-se à conclusão: as boas intenções culminam na tirania. Não se duvida das boas intenções dos governantes, mas começa-se a ver que nos estão a conduzir para um abismo, outra vez.

Temístocles Menor

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