Panama Papers: Os factos e sombras da Fundação Ilídio Pinho

Como já se escreveu aqui, há alguma desconfiança sobre esta história dos Panama Papers e a forma como foi divulgada. Assemelha-se muito a uma ofensiva para apertar a legislação bancária e fiscal no mundo ocidental numa época de grandes necessidades financeiras dos Estados que não conseguem deixar de gastar. Não tem sido dito, mas as off-shore também são um espaço de liberdade. A única questão é que essa liberdade não deve ser existir  para cometer crimes graves, mas não mais do que isso.
Colocada esta advertência, também se pode dizer que surgem muitas informações úteis nesta divulgação, que obviamente são de interesse público.
Uma delas é a referente à Fundação Ilídio Pinho. Tem-se feito muito barulho à volta disto, mas com pouca profundidade. Ilídio Pinho é um dos "moralistas" do regime.Sempre gostou de perorar sobre as virtudes dos empresários como ele, mas nunca praticou essas virtudes. Desde muito cedo, por tristes razões pessoais, deixou de ter qual contributo para a indústria portuguesa tornando-se num mero investidor financeiro a quem o banco J.P. Morgan colocava o jacto à disposição. Tinha portanto uma pequena estrutura que se limitava a especular na Bolsa e obter ganhos financeiros. A questão é que essa estrutura tinha poucos custos e sujeitava-se a vária tributação. 
Surge a Fundação Ilídio Pinho, com muitos objectivos; no seu lançamento esteve presente Mário Soares e o Bispo do Porto.Contudo, ao longo dos anos, e já lá vão 10 anos, a Fundação não desenvolveu actividade visível além da entrega de uns prémios. 
Agora aparecem os Panama Papers que ligam a Fundação a off-shores. Nessas off-shores surgem além de Ilídio Pinho, a sua mulher Emília, a filha Daniela e o genro.Portanto, tudo em família. É evidente que tem interesse para o Estado Português saber as relações exactas que foram estabelecidas entre as off-shore e a Fundação, cujas pessoas são as mesmas, a família.
Ilídio Pinho ficou há muitos anos conhecido no mercado internacional por ter recebido por intermédio de Mário Soares somas avultadas entregues por Robert Maxwell. Aparentemente, Pinho teria investido essas somas nas suas empresas (antes de as vender) e o dinheiro desapareceu. Depois foi o cabo dos trabalhos para devolver o dinheiro a Maxwell quando este precisou dele por estar à beira da falência.
Esta história vem toda para se perceber que os comportamentos obscuros não surgem do nada, são uma constante da elite político-financeira que governou o país nos anos recentes.

Alexandre Cavallieri

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