Os trabalhos de Costa

Costa foi muito hábil em evitar ir para casa depois das eleições de 4 de Outubro, e tornar-se primeiro-ministro. Parabéns.
Desde aí, apesar do apoio geral da comunicação social, do Presidente Marcelo e até do Comentador Mendes, Costa está à deriva e em guerra fria com quase todos.
Com a UE e o FMI não há semana que estes não emitam um papel a puxar as orelhas a Costa, que finge que não as tem, e continua como se nada fosse. Pode fazer isso até os "mercados" lhe tirarem o tapete. Se lhe tiram ou não o tapete, não sei. Mas sei se tal acontecer, Costa perdeu toda o capital de boa vontade que poderia deter na Europa.
Em termos económicos, Centeno de Harvard tinha anunciado que ia lançar uma espécie de pequeno programa keynesiano de relançamento da economia baseado no retorno dos rendimentos às famílias. No entanto, o pressuposto já falho quando se anuncia que a economia vai crescer menos do que se esperava. Onde é que isto nos deixa? Deixa mal, com o chamado "buraco", pois as perspetivas teóricas de Centeno de Harvard não se parecem confirmar. Sem crescimento económico induzido pela maior despesa, temos uma ampliação do déficit.
Portanto, na frente económica aproximam-se nuvens a galope, e o Estado ficou sem amrgem de manobra.
Na política externa, Costa cometeu a maior barraca possível com a historia de Angola e o BPI. Sabendo que Isabel dos Santos é uma PEP, em pré-investigação em Bruxelas. Tendo certamente acesso aos relatórios dos serviços de informação sobre a personagem, como é que vai negociar com ela? Só podia acabar mal, como acabou. Sem comentários.
Na frente política interna, o Bloco de Esquerda brinca às "causas" levando alguma parte folclórica do PS com ele, mas certamente alienando a população, pouco interessada nos interesses bizantinos que agora dominam o Bloco.
De facto, Passos Coelho só tem que aguardar sentado, pois Costa está a ficar em poucos meses sem qualquer saída.

Alexandre Cavallieri

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