Jogo de Costa: a dependência dos mercados

Talvez, depois de dias de aturada reflexão e leitura de comentários e comentadores variados, tenha percebido o jogo de Costa e a razão de tanta displicência com as finanças e a economia. Costa está-se nas tintas para o Tratado Orçamental (faz bem) e para as exigências do FMI, BCE e Comissão Europeias, embora faça o devido "lip service" com a ajuda do Presidente Marcelo. Na realidade, paulatinamente Costa vai re-introduzindo a política económica de Sócrates: gastamos e depois logo se vê, ou como dizia Napoleão "On s`engage et puis on voit".
A aposta de Costa é política, espera que a Europa tenha mais que fazer do que se preocupar com Portugal, quando tem a Espanha, a França, a Itália, a Finlândia e tantos outros em dificuldades, assim, discretamente, vai ignorando com um sorriso afável todas as preocupações europeias.
Exemplo disso, além do Orçamento e do Plano de Estabilidade é o Plano Nacional de Reformas, que não tem Reforma nenhuma, apenas intenções e formas de gastos públicos.
A visão de Costa é a de que Portugal estava no bom caminho com Guterres e Sócrates, o que se passou pelo meio tratou-se de um mero sobressalto, e agora há que retomar o rumo.
Esta visão corresponde ao sentir da oligarquia dominante em Portugal e também, concretiza aquele desiderato anunciado de submeter a economia à política.
Poderá estar tudo bem. A política de Costa poderá resultar, a Europa poderá ter mais do que fazer do que passar a vida a fazer relatórios admoestativos sobre Portugal. E nós continuaremos neste marasmo que já vem de 2000, mais ou menos, com alguns a fazer umas negociatas, e metade da população anestesiada com alguma subvenção pública.
Há um senão. Quem financia o país são os mercados (pois, sem os odiados mercados não haveria dinheiro), e não os políticos socialistas e aparentados. E os mercados podem ficar nervosos, podem perder a confiança em Portugal, e nesse momento o jogo de Costa termina.
Este é o ponto interessante, Costa e a sua trupe colocaram o país mais do que nunca ao sabor dos mercados. Estamos em puro liberalismo.
Em suma, é caso para dizer que a sobrevivência de Costa depende dos mercados financeiros mundiais.

Temístocles Menor

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