O caminho certo. Qual caminho certo?

Muito se discute por estes dias acerca dos caminhos que o Governo de Catarina Martins vai seguir. 
O Presidente da República traçou uma espécie de linhas vermelhas em que sobressai o respeito pela Europa e pela política económica alemã traduzida no Tratado Orçamental.
Sinceramente, não percebo qual a razão para o respeito pela Europa e a política económica alemã traduzida no Tratado Orçamental.
Se repararmos desde que Portugal aderiu ao Euro e às orientações de política económica alemã só tem definhado em termos económicos. O que é hoje Portugal economicamente? Um país que fabrica carros alemães falseados e abre restaurantes com jovens trendy. Pouca actividade económica resta. Os empresários são empresários de tuk-tuk e coisas afins (o que é melhor do que serem desempregados, e é importante, mas não chega). 
Na realidade, o país tem sido descapitalizado e vive de empréstimos para comprar coisas alemãs e algumas francesas. A velha teoria da dependência começa a sair da América Latina e aplicar-se aos países periféricos da Europa.
O centro da Europa repetiu com Portugal aquilo que os antigos países coloniais fizeram com África.Primeiro "civilizaram" o país (1985-2000), emprestaram dinheiro, criaram infraestruturas "modernas" e maravilharam o indigenato nacional com uns carros BMW e malas Louis Vuitton. Depois (2000 em seguinte) trataram de explorar o país e lhe vender os produtos manufacturados que entenderam, até rebentar. Os bancos estrangeiros emprestaram dinheiro aos bancos portugueses para estes emprestarem dinheiro aos portugueses para que estes comprassem os produtos estrangeiros. Tudo muito bonito até que se percebeu que o país perdeu a agricultura, a indústria e se especializou em construir casas. Depois explodiu nas mãos daquele louco certificado chamado Sócrates de Sousa.
A putativa recuperação que se seguiu assemelhou-se às recuperações debaixo da mira das canhoeiras do século XIX e só serviu para renovar os fluxos para o estrangeiro, porque o país continuou pobre e falido. É verdade que se notou uma animação na agricultura. E a realidade é que qualquer recuperação tem que começar pelo básico: agricultura e indústria. Só de seguida se poderá pensar crescer. Portugal não é uma praça financeira. Podia sê-lo no investimento/ transacções para os PALOPs, mas para isso precisava de tribunais a funcionar e isso é coisa que não há no país.
Agricultura, tribunais, interior, são algumas das prioridades de qualquer política e não Europa ou Tratado Orçamental ou aquelas coisas de que a Esquerda gosta, mas que já se viu que não interessam a quase ninguém.
Por tudo isto, só vale a pena mudar de governo, para mudar de política a sério, como dizia o velho jargão do PCP; para sirizar e fazer o mesmo que os PaFs não vale mesmo a pena, para agradar aos sindicatos e às oligarquias que andam desconfortáveis com Passos Coelho, desde que ele deixou cair o tio dos tios, também não vale a pena.
Qualquer nova política teria que ser moderadamente eurocéptica, moderadamente parecida com a Inglaterra em termos económicos ( diminuição da despesa do Estado compaginada com aumento da massa monetária [QE] e liberalização) e apostar na riqueza nacional com um mínimo de proteccionismo inicial para o relançamento da agricultura e da indústria.
Em suma, há um caminho muito diferente e esse caminho deve ser percorrido.
Rui Verde

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