Legitimidades e Políticas, mais interrogações que certezas

Um governo tem legitimidade para o ser desde que a Assembleia da República assim o decida, seja por omissão, seja por acção. Não há qualquer outra razão para conferir legitimidade a um governo. A "convenção" que o partido mais votado deve governar não existe, isso aconteceu como fruto das circunstâncias e nada mais.
Portanto, as carpidices do PaF não têm qualquer razão de ser, se queriam governar tivessem ganho com maioria absoluta.
O Presidente da República é eleito por voto directo e universal, aliás é o único órgão uninominal em que isso acontece. Será talvez aquele órgão que mais legitimidade democrática tem. Por isso, a postura da esquerda relativamente a ele tem sido perfeitamente errada e condenável. O Presidente não tinha que nomear António Costa, o Presidente podia ter nomeado um Governo técnico, o Presidente poderia ter mantido Passos Coelho em gestão. O apequenamento presidencial que se quis fazer está errado.
Posto isto, acabámos por ter Costa. 
A política económica de Costa é simples. Manter o rumo passado mais ou menos, com uns disfarces e umas benesses, substituindo -se ao Tribunal Constitucional como condutor social da política económica e financeira. É evidente que a política pretérita estava a falhar em termos de crescimento. Se Passos Coelho fez retornar o país aos mercados da dívida, não estava a conseguir lançar a economia. Será que os estímulos neo-kenesyanos de Costa o conseguirão? Nada se pode dizer que não.
É um jogo. Esse jogo pode resultar, a economia crescer e o orçamento ficar seguro. Mas esse jogo pode falhar a economia não crescer e o orçamento aumentar o "buraco". A questão resume-se a isto e não é preciso qualquer modelo macroeconómico...

Rui Verde


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