A volta da festa

Em tempos, a ministra da Educação de Sócrates referiu-se às despesas da Parque Escolar como uma festa. Não se exprimia de forma irónica; era sua convicção que o despesismo socrático tinha sido uma verdadeira festa.
Pois bem, parece que a festa está de volta. Segundo as medidas enunciadas nos media, o Estado vai entrar numa nova fase de gastos.
Quando, como é o meu caso, nunca concordei com o unilateralismo e falta de policy mix das linhas económicas e financeiras do anterior governo, não vou começar já a criticar um programa alternativo. Tento entendê-lo.
A questão que a adopção de novos gastos coloca é: de onde vem o dinheiro?
Ha 4 respostas possíveis. 
A primeira é técnica. O novo governo espera que um estímulo à procura leve a um estímulo geral da economia e tal se traduza em crescimento económico que faça aumentar o nível de prosperidade e assim surja dinheiro para pagar as despesas. Isto é, os gastos adicionais inauguram um círculo virtuoso de crescimento que os paga. É uma espécie da teoria do "pêlo do próprio cão". Os gastos vão-se auto-pagar.Esta teoria é fundamentalmente keynesiana e por vezes resulta;não deixa de constituir, contudo, um risco grande.
A segunda resposta é simples. Os novos gastos vão ser financiados com novos impostos. Por isso, a esta despesa suceder-se-á um novo aumento de impostos. Esta perspectiva é muito possível.
A terceira resposta é também manifesta. O governo socialista vai-se encarregar de esvaziar os cofres "cheios" de Maria Luís. Portanto, o dinheiro já existe, está entesourado e vai ser gasto a bem da nação.
Finalmente, a quarta resposta é catastrófica. Não há dinheiro, não vai haver, o que se vai passar é um descontrolo de contas que vai rapidamente levar o país à bancarrota. E lá se acaba a festa...
Rui Verde

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