A nacionalização do BES/Novo Banco

O espaço público anda a ser inundado por sugestões sábias de vários palradores aconselhando a nacionalização do Novo Banco.

Há anos,muito antes do colapso do BES no Verão de 2014, defendemos a nacionalização e desmembramento do Grupo BES, em artigo público, face ao poderio tentacular que o Grupo BES estava a obter e aos indícios, que eram do nosso conhecimento, de uma frágil situação financeira.Obviamente, ninguém ligou, e o BES continuou a sua caminhada inexorável para o abismo.

Essa nacionalização proposta era uma nacionalização estratégica preventiva para evitar um mal maior e grave. 
Hoje a nacionalização proposta é muito diferente. Podemos encarar a proposta actual de nacionalização do Novo Banco de duas perspectivas essenciais: ou estamos perante uma táctica negocial do governo com a Lone Star, querendo dizer ao fundo que existem várias alternativas para o Novo Banco, não se estando perante uma situação Lone Star ou o caos, e nestes termos seria uma estratégia como outra qualquer. Um bluff; ou então estamos perante uma real consideração de nacionalização do Novo Banco. 
Neste último caso, há que clarificar que o que se estaria a passar é muto simples. Depois do falhanço da estratégia de retorno de Espírito Santo Ricciardi através das sombras chinesas, o Estado ao nacionalizar o Banco por uns tempos, está a dar tempo a Espírito Santo Ricciardi para se reorganizar de forma mais sustentada e coerente para voltar a uma nova tentativa de tomar o Novo Banco, daqui a uns tempos.

É que a "narrativa"política do caso BES mudou. O que era um caso criminal tornou-se hoje um caso político de maldade do governo Passos Coelho para um amigo da oligarquia que não merecia tal tratamento. Os Espírito Santo surgem agora como vítimas da ligeireza de Passos Coelho. E não é despiciendo lembrar que velhos amigos da família ocupam agora os cargos de topo do Estado português, embora não se inferindo daí qualquer ilegalidade de actuação, pressente-se uma mudança de vento...

Portanto, face à mudança da narrativa de enquadramento, aliada ao medo dos "fundos-abutres"norte-americanos não admira que se prefira a nacionalização do BES dando tempo aos Espíritos.

Não julgamos, nem qualificamos esta estratégia, apenas a tornamos clara, para que determinada classe político-financeira-a oligarquia, como lhe chama Rui Ramos, não nos faça passar a todos por parvos.

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