Mudar a sério

Há marés que ficam e marés que vão. Em 1979, quando Margaret Thatcher tomou o poder em Inglaterra foi uma maré que ficou. Um novo tempo, uma nova filosofia, tomaram conta de Inglaterra; e dos Estados Unidos com a revolução Reagan. O liberalismo, defendido por Friedman e Hayek, triunfou (tanto quanto a prática permite que as teorias triunfem) e o mundo mudou.
De alguma maneira, havia a esperança que a vinda da Troika em 2011 e o governo de Passos Coelho fizessem algo de semelhante pelo declínio e marasmo corrupto em que Portugal caíra. Alguns sinais foram dados: o desmantelamento do GES, a prisão de Sócrates foram indícios que se procurava um novo caminho. Contudo, a realidade é que o governo Passos Coelho acabou viciado nas denominadas políticas de austeridade e numa espécie de submissão germanófila, e não teve rasgo para abrir um novo caminho.
O padrão português manteve-se. A subida de Costa ao poder, histórica do ponto de vista da táctica política, não representa mais nada.
Habitualmente, é nas crises que se conseguem adoptar a ideias impensáveis. E Portugal precisa de ideias impensáveis para mudar o rumo. Aqui se alinham algumas.
Obviamente, que Portugal tem que sair do Euro, ou melhor, talvez seja de conceber uma moeda concorrente como Euro e deixar as duas circular. Uma vez que Portugal não faz parte de uma Zona Monetária Óptima, a existência de duas moedas em concorrência: O Euro e o Novo Escudo poderia ser uma experiência interessante.
Naturalmente, que o país tem que aproveitar o Brexit para negociar o seu reposicionamento da União Europeia. Este um segundo ponto.
E é altura de repensar a relação com os PALOPS, e em relação a Cabo Verde e São Tomé, pelo menos incentivar a ideia de uma Confederação. Em relação a Angola e Moçambique apoiar claramente uma mudança de regime.
Em termos de Estado Social, definitivamente há que perceber que Escola Pública é algo que não existe e só prejudica os que lá estão, assim como saúde pública. São mitos que alimentam clientelas e permitem apenas criar amplos fossos sociais. Assim, ao nível do Estado Social há que retirar o Estado da prestação de serviços e entregá-los aos privados, através de cheque-ensino e outros mecanismos de mercado.
A descentralização não se faz com regiões, mas mudando a capital do país para o interior.
Muito e muito mais é preciso fazer. Aqui apenas ficam umas sugestões rápidas.

Rui Verde

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