Seis meses de quê?

Estou à vontade. Não votei no PaF e nunca concordei com a política económica e financeira do anterior governo, embora reconheça que era necessário começar com uma dose da mesma para "voltar aos mercados", mas não era suficiente para tirar Portugal da estagnação  em que entrou desde o início deste século.
No entanto, tenho a ligeira impressão que, por detrás dos sorrisos imbecis que nos aparecem nas Tvs todos os dias a imitar o Dr. Pangloss com a afirmação que está tudo no melhor dos mundos e melhor não poderia estar, estamos a assistir a uma nova desgraça de índole socrática. A economia, já de si frágil, parou com os disparates do governo, e aquilo que não parou dessa forma, parou pela actuação dos sindicatos.
O Presidente fala todos os dias de estabilidade, mas está certamente a brincar. Ninguém pode falar de estabilidade, quando um governo faz exactamente o contrário do que o outro fez. Faz voltar tudo ao passado. O passado em que não fomos felizes. E qualquer investidor percebe que os contratos assinados por um governo não valem o papel em que foram feitos, pois o seguinte pode mudar tudo.
Nas Finanças Públicas percebe-se que ou o governo duplica a dose de Passos Coelho, ou está numa derrapagem sem fim. Porque o problema não é se o déficit foi de 3% ou de 2,7%. A questão é que o déficit em 2015, apesar dos apertos de Passos Coelho, foi de 4,1%. Sim, teve o Banif. Mas o Banif, usando as memoráveis palavras de Donald Rumsfeld, não é uma excepção excepcional. É uma excepção repetível. Foi o Banif, no ano anterior o BES, noutro ano o BPN, Este ano muito provavelmente a CGD. Por isso, o déficit real deve ser sempre superior aos 4%. Nem é muito desde que haja financiamento dos mercados. Mas a realidade é que os problemas continuam a existir, estão a ficar piores, e não parece haver consciência da necessidade de uma grave e radical mudança.
Esta comédia de governo vai acabar em breve e com muito choro. Há que estar alerta.

Temístocles Menor

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Quem tramou Joana Marques Vidal? Sócrates ou Manuel Vicente?

O mistério de Luís Delgado e da Impresa

O fim do jornalismo português(2)