Brincar à esquerda?

Não duvido que este é um tempo em que a maioria das pessoas se sente tentada a ser de esquerda. 
As desigualdades aumentam enquanto os ricos estão mais ricos e arrotam a sua riqueza despudoradamente, os bancos e a finança parecem dirigidos por aldrabões encartados, os governos PSD-CDS (ditos de direita) seguiram umas políticas de submissão ao estrangeiro, que aparentemente poucos dos nossos problemas resolveram. E também é mais bonito deixar os gays casarem-se, adoptarem crianças, haver aborto livre, eutanásia e outras causas mais ou menos alegres supostamente de esquerda. De um modo geral, a esquerda parece ser mais generosa e solidária. E sobretudo em Portugal a direita está demasiado ligado aos negócios, ser de direita é fazer uns negócios mais ou menos aldrabados. Fora isso, existe uma pequeníssima franja patusca de direitistas monárquicos e católicos que fazem algum barulho, mas não devem ser mais de 1000 em todo o país.
Marcelo Rebelo de Sousa ganhou as presidenciais com um discurso mais ou menos de esquerda e Passos Coelho agora também vem dizer que é de esquerda mais ou menos.
Isto era tudo muito bonito se na esquerda não estivessem também os comunistas. Fale-se claro sobre os comunistas: eles defendem as ditaduras e a opressão, da União Soviética a Angola, de Angola à Coreia do Norte. Eles destruíram a economia portuguesa em 1974-1976 e preparam-se outra vez para fazer o mesmo. E é este ponto que tem que ser visto. A economia portuguesa foi completamente varrida nos anos quentes da revolução. Nunca recuperou completamente. Sócrates, candidato a ditador vitalício, destruiu-a novamente. A recuperação encetada por Passos Coelho foi muito dúbia, mas uma coisa é certa, esta brincadeira actual vai trazer muitos problemas renovados a Portugal, há que sair desta loucura breve enquanto é tempo.
Entretanto, a direita tem que se libertar da vergonha e defender uma sociedade moderna, aberta e livre. Sim, a direita pode defender o casamento gay, a liberalização das drogas, a adopção por casais do mesmo sexo, o aborto, e muitas causas que não têm a ver com espectros ideológicos, mas com algo mais fundamental como a liberdade e dignidade humanas. E pode ao mesmo tempo defender uma economia livre, com impostos baixos e não dependente de oligarquias. Este tem que ser o programa da direita e depressa, antes que os comunistas afundem tudo mais uma vez...

Rui Verde

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