Déficit e Banca.Que arrumação?

Diz-se que Centeno é demasiado valioso para ser deixado cair por causa da trapalhice da CGD, uma vez que tem operado milagres na economia portuguesa, designadamente baixou o déficit orçamental para mínimos históricos e "arrumou" a banca (o que quer que isso seja...).

Quanto a Centeno sair ou não por causa da trapalhice da CGD, a resposta é simples: devia sair por ter negociado um acordo ilegal e depois ter ido mudar a lei. Era um exemplo de sanidade democrática e respeito pelo Estado de Direito. 

Contudo, mais importante de analisar são os alegados "milagres" de Centeno. 

Quanto ao déficit estamos a assistira mais uma mistificação. A realidade é que as necessidades de dinheiro do Estado Português continuam elevadas e muito superiores às receitas. O desequilíbrio financeiro permanece, e de forma agravada. Se hoje o déficit baixa (nominalmente) é porque a dívida aumenta, ou o investimento pára. Se porventura se quiser relançar o investimento, o déficit sobre logo. Não pagar contas não é o mesmo que reduzi-las. Aliás, as pressões sobre o Estado para gastar mais são permanentes.Na realidade, enquanto não se modificarem as funções e organização do Estado, nada ficará resolvido. Quanto ao déficit Centeno cada vez mais parece Teixeira dos Santos, que apresentava números que nada tinham a ver com a realidade, como se veio a ver depois.

Quanto aos bancos e a sua "arrumação" não se percebe o que isso é: a CGD foi uma trapalhice completa, e se agora começar a estabilizar não se deve a Centeno, mas a Paulo Macedo. A resolução do BES falhou (não foi culpa de Centeno) e está longe de estar resolvida. O BCP foi entregue a uns chineses endividados, que têm responsabilidades financeiras enormes no mercado internacional e classificação de "lixo". E segundo escreve Pedro Santos Guerreiro no Expresso, na Tranquilidade fizeram um raid à liquidez da companhia. OBPI perdeu a sua jóia (BFA em Angola) e agora não passa de uma sucursal espanhola. Portanto, não está nada arrumado. Pelo contrário, está tudo desarrumado. Obviamente, que a culpa, talvez retirando a CGD, não é de Centeno, mas também não
é por isso que deve ficar ou  não como Ministro das Finanças.
Um dia quando se escrever a história deste último ano na política portuguesa ver-se-á que foi um tempo de ilusão e desperdício. Mas um adiamento...

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