A subserviência portuguesa: União Europeia e Angola

A política externa portuguesa do "Orgulhosamente sós" foi muito criticada a seguir ao 25 de Abril de 1974 por ter isolado o país e conduzido à débacle colonial.
Por isso, após a revolução de Abril, Portugal tem-se destacado por querer estar sempre acompanhado. O exemplo típico de tal postura foi a adesão à então CEE, hoje União Europeia, e o comportamento de "bom aluno" que sempre adoptou, procurando cumprir com os desígnios europeus e obedecendo cegamente às instruções das potências europeias. 
O exemplo mais recente de tal subserviência estrutural à União Europeia veio do tempo da troika, quando o Governo português se tornou num verdadeiro colaboracionista germânico. Poder-se-á dizer que valeu a pena. Portugal não foi a Grécia. Saiu da crise, recuperou a economia, e hoje o seu ministro das Finanças é o chefe dos executores da política económica-financeira europeia. Digamos que o "preso" ficou com a chave da "prisão". Que melhor recompensa haverá? 
No entanto, poder-se-á alegar que a política imposta a Portugal não resolveu os problemas estruturais da nossa economia, exagerou em austeridade e esqueceu as reformas sempre adiadas, e a nomeação de Centeno para o Eurogrupo é uma humilhação e não um prémio. De facto, demonstra que Portugal foi tão domesticado que agora pode fingir que dirige o directório europeu. Centeno poderá fazer lembrar aqueles batalhões de SS formados por franceses convertidos que defenderam Berlim no final da Segunda Grande Guerra Mundial contra os soviéticos. Foram mais leais que os próprios alemães que fugiram. 
Mas o problema da subserviência não se coloca só com a União Europeia. O ditador louco da Venezuela lançou uma tirada contra o pernil de porco português....uma semana depois o nosso ministro dos negócios estrangeiros voava para Caracas para dar explicações e talvez levar pernis...
Contudo, outro caso emblemático é Angola. Centremo-nos no processo judicial Manuel Vicente. Angola de forma completamente descabida e contrária ao direito internacional esperneia por Portugal querer julgar Vicente por um crime cometido em Portugal. E as nossas autoridades atemorizam-se e dão "sinais" de medo. É Costa que não homologa o parecer do Conselho Consultivo da PGR que declara que Vicente deve ser julgado em Portugal. É Marcelo que se desloca a Angola para ser humilhado. É a ministra da Justiça que anuncia a substituição da PGR, obviamente para dar mais um "sinal" a Angola. E Portugal com a sua tradição de deferência do poder judicial lá há-de acabar por remeter o processo de Vicente para Angola. 
Não há que ter medo da oligarquia angolana e dos seus esbirros portugueses. Os oligarcas angolanos precisam mais de Portugal do que Portugal de Angola. Basta dificultar-lhes as viagens ao cabeleireiro a Portugal, para o regime de Luanda tremer...
Não há que voltar ao salazarismo, obviamente, mas haverá que recuperar o orgulho de ser Português e ter uma Política Externa própria. Com cedências, com flexibilidade, mas sem parecer, como parece, que estamos constantemente de cócoras.

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