Como o politicamente correcto está a matar a democracia (1): a nova censura

Às 22h08 de ontem, sábado, dia 3 de Junho de 2017, houve mais um atentado terrorista que, à hora em que escrevo, tinha provocado 7 mortos e 48 feridos. Algumas testemunhas ouviram os gritos dos atacantes a referirem-se a Alá. Às 00h25 a Polícia londrina informava ter-se tratado de um ataque terrorista.
Não sei a que horas fechará a edição diária do jornal “Público” mas não deve ser, decerto, antes da meia-noite. E, como em todos os jornais, haverá seguramente alguma margem horária, se houver notícias de última hora que o justifiquem.
Portanto, o “Público” poderia ter noticiado o atentado, como tal. Mas não o fez. O que fez, em vez disso, foi uma pérola do jornalismo dos nossos dias (ou, melhor, de um neojornalismo que está a substituir o jornalismo em Portugal): no canto inferior esquerdo da primeira página, publicou o título “Várias pessoas atropeladas e esfaqueadas em Londres” e o texto “Novo ataque no centro da capital britânica fez várias vítimas na Ponte de Londres e num mercado próximo”.
Talvez não haja melhor exemplo do que este para retratar uma realidade da imprensa portuguesa dos nossos dias: a omissão de informações relevantes para o conhecimento de um dado acontecimento por motivos. E as informações omitidas são deste género: um atentado terrorista não é um atentado terrorista, os seus autores não podem ser terroristas islâmicos, a relevância (cultura, religiosa ou social) da etnia não pode ser aludida (como acontece com incidentes em zonas suburbanas e rurais, em que as etnias africana e cigana dos envolvidos são silenciadas). Quem e pratica este tipo de atentado à liberdade de informação e de expressão parece invocar a necessidade de não ferir credos ou raças, de não contribuir para a segregação ou para o racismo. 
Mas a sonegação de informação não contribui para o esclarecimento da realidade.  É uma nova censura. Parcelar, voluntária, ainda não decretada pelo Estado. Mas um dia, se o “politicamente correcto” continuar a fazer escola, é onde chegaremos.
Se ainda houver jornais, claro. Porque, convenhamos, alguém vai comprar um jornal que informe menos (pela diferença de tempo mas também por sonegar informação) do que as televisões e a imprensa “on line”? Claro que não. E, se calhar, ainda bem.

Pedro Garcia Rosado

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