O BE e a defesa do capitalismo financeiro ou as voltas do conformismo

O BE é um partido que se tem definido por algumas causas justas: i) a política face a Angola. É o único partido que não tem uma postura servil face ao poder ditatorial de Luanda;ii) a promoção em força de um grupo de mulheres para funções de liderança. Não apenas uma ou duas mulheres para cumprir com os ditames do politicamente correcto, mas um tufão delas. E muito bem. Mesmo que não se concorde com as ideias por elas expendidas, marcam um patamar novo e desafiante para a política; iii) a defesa de causas de índole social,muitas das quais representam a evolução da ordem espontânea que os liberais abraçam.
Contudo, nos últimos tempos, o que a surpresa trazida pelo BE é a da defesa do capitalismo financeiro e em especial da banca portuguesa, nos termos deprimentes em que esta tem sido gerida e abusada pela oligarquia nacional.
O símbolo de tal atitude foi a aceitação por parte de Francisco Louçã da nomeação para um desconhecido Conselho Consultivo do Banco de Portugal.
Se este é o facto símbolo, não tem relevo substantivo.
Em termos substantivos espantam duas atitudes:
A primeira é a proposta que todas as transacções acima de € 3.000,00 não possam ser efectuadas em dinheiro, mas apenas através do sistema bancário. Esta é uma restrição das liberdades inaceitável e uma compressão do direito à privacidade e da autonomia de vontade. Debaixo do manto do combate à corrupção ou à evasão fiscal quer-se obrigar todas a pessoas a conduzirem as suas transacções através da banca. Desconheço o montante das contas bancárias de cada um dos membros do BE, mas pelos vistos devem ser significativas,pois não sentem o "inferno" que é ter contas bancárias com montantes modestos. Uma boa parte do dinheiro de uma conta à ordem "desaparece" para pagar as mais mirabolantes taxas e comissões aplicadas pela banca. Hoje o cidadão médio não tem qualquer benefício em ter conta bancária. É mais uma burocracia que lhe custa dinheiro. Entre o valor diminuto, próximo de zero, dos juros e s referidas comissões e taxas, o cidadão médio perde dinheiro a partir do momento em que o deposita no banco.
Ora esta proposta do BE debaixo do manto das boas intenções( desconfiemos sempre delas) não é mais que um "frete" aos bancos e ao controlo "soviético" da vida das pessoas.
Na mesma linha de defesa do capitalismo financeiro se enquadra o ataque ao Governador do Banco de Portugal e a protecção dos desmandos na CGD.
Facilmente, se percebe que este ódio instalado ao Governador é fruto das raivas dos Espírito Santo e dos seus amigos/aliados/ prebendadores e outros mais face à intervenção do Governador. Está a ser alimentada para definir um ponto: se não fosse Passos Coelho e o Governador, o BES tinha sido salvo e o Dr. Salgado continuava o DDT (Dono Disto Tudo). É verdade que o Governador pecou por actuar tarde, por ter confiando na palavra de Salgado e por ter sido ingénuo (ou ter querer sido...) e acreditar que era possível criar um muro entre o GES e o BES( Ainda hoje não percebo como um homem experiente caiu nessa). Mas, apesar de todos os erros, Costa actuou, quando Salgado era o herói nacional, e não o aldrabão vigarista ladrão que hoje é retratado na imprensa, que como sempre passa do 8 para o 80. 
Na altura, Salgado era intocável, e Costa apesar de todos os tropeços avançou, onde nenhum outro avançou. 
O país devia-lhe estar grato ( e já agora àqueles que tiveram coragem de confrontar José Sócrates na altura, e não agora, que é fácil) pois ajudou a desmontar um verdadeiro "polvo" que se tinha apoderado da República ( e ainda anda por aí...como esta história mal contada dos 10 mil milhões para as off-shore demonstra).
Também não se percebe a defesa do status quo da CGD. Obviamente, que a CGD foi "saqueada" por vários grupos ligados ao poder e possivelmente com interesses ligados a Salgado e Sócrates e ao financiamento dos partidos políticos. Convinha esclarecer. Não se percebe por que o BE prefere esconder e proteger os bancos.
O BE não se deveria conformar a tudo para ser poder...Afinal, o BE está a ficar igual ao CDS do outro lado do espectro político.

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