F.L., professor, poeta e tradutor, está a traduzir uma nova versão da Bíblia. É um facto cultural relevante embora, para todos os efeitos, nada vença a Bíblia dos Capuchinhos, de consulta fácil e à distância de meia-dúzia de cliques. O jornal “Expresso”, talvez para variar da recente moda jornalística de entrevistar actores, actrizes e apresentadores e apresentadoras (não é assim que se deve escrever?), resolveu entrevistá-lo. E na capa da sua revista apresenta assim o entrevistado: “(…) Um dos mais brilhantes intelectuais portugueses, homossexual assumido e autor da primeira tradução da Bíblia a partir do grego. Uma questão de fé.” Não se percebe bem a eventual relevância da última frase sobre a fé mas, aqui, o que interessa é a relevância da sexualidade do entrevistado. “Homossexual assumido” é aqui, pela ordem de construção do textículo da capa, mais importante até do que a tradução do grego. Mas, quando se penetra no texto da entrevista, a dúvida adensa-se. São 69 as pe...
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