A queda do Muro de Berlim, em 1989, foi um trauma. Nenhum comunista escapou ileso à fuga em massa dos alemães da ex-República Democrática Alemã do seu país e dos muitos outros que se lhes juntaram: então já não queriam lá estar?! Uns terão regressado, outros não, os regime do “socialismo real” foram caindo como pedras de dominó e o que hoje resta é uma Rússia com alguns Estados agregados, que tem mais a ver com a Rússia czarista do que com o centro da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Em Portugal, alguns comunistas foram-se afastando do PCP. Outros ficaram. O discurso da direcção do PCP foi unânime: era tudo uma fabricação, fazia tudo parte de uma “campanha”. Só lhes faltou dizer que o Muro de Berlim não tinha caído e que as imagens da fuga do Leste eram uma invenção. Os comunistas que ficaram no partido aceitaram a ideia. Sentiram-se, decerto, mais confiantes: ainda era possível acreditar na Terra Prometida. O que fazia as normas da fé era o “Avante!”. E...
Uma modesta proposta para prevenir que a “geringonça” não cumpra o défice e para tornar a flatulência benéfica para a República: tribute-se o peido É motivo de melancolia para aqueles que passeiam por este grande país verem por todo o lado tanta gente que pode andar a fugir aos impostos, ou que esconde o dinheiro que tem, ou que não tem nada a que o Estado lhe possa deitar a mão para compensar o facto de, pela sua condição económica, fazer parte da metade da população que não tem rendimentos para pagar IRS. Imagine-se, o que é ainda pior, que essa gente não tem casa própria onde dê o sol, que não tem carro próprio, que não bebe coisas doces – como é que raio é que poderão ser ainda mais tributados em sede de IMI, em sede de ISPP e em sede de imposto dos açúcares estrangeiros? Por uma única coisa, por aquilo que toda a gente produz e que eles também. E com um efeito multiplicativo que talvez resolvesse mais rapidamente o problema do défice e pudesse contribuir para um efectivo ...
F.L., professor, poeta e tradutor, está a traduzir uma nova versão da Bíblia. É um facto cultural relevante embora, para todos os efeitos, nada vença a Bíblia dos Capuchinhos, de consulta fácil e à distância de meia-dúzia de cliques. O jornal “Expresso”, talvez para variar da recente moda jornalística de entrevistar actores, actrizes e apresentadores e apresentadoras (não é assim que se deve escrever?), resolveu entrevistá-lo. E na capa da sua revista apresenta assim o entrevistado: “(…) Um dos mais brilhantes intelectuais portugueses, homossexual assumido e autor da primeira tradução da Bíblia a partir do grego. Uma questão de fé.” Não se percebe bem a eventual relevância da última frase sobre a fé mas, aqui, o que interessa é a relevância da sexualidade do entrevistado. “Homossexual assumido” é aqui, pela ordem de construção do textículo da capa, mais importante até do que a tradução do grego. Mas, quando se penetra no texto da entrevista, a dúvida adensa-se. São 69 as pe...
Comentários
Enviar um comentário