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Jornalismo relaxado

Segundo o consensual Priberam, "relaxado" significa: frouxo, frouxo no cumprimento dos deveres, distendido, desmazelado, dissoluto, devasso, "que não foi pago no tempo competente e incorre por isso em execução (falando de contribuições)". Agora leia-se esta frase do "Observador": "[o ministro das Finanças alemão] Schaeuble admitiu estar 'relaxado', por 'o perigo de contágio na Zona Euro' ser baixo". O ministro pode ter usado o inglês "relaxed" (que significa, em geral, "descontraído") ou alguma agência, ou jornal, o usou por ele. O certo é que, por ignorância ou pelo desgraçado hábito que têm alguns jornalistas mais novos de que sabem muito de inglês (e não sabem), saiu uma coisa em vez da outra. Ou seja: relaxado é este jornalismo feito de burrice. Costa Cardoso

Como quem não quer a coisa?

Na edição "on line" do "Diário de Notícias", cujos jornalistas parecem ter "enfiado a carapuça" relativamente ao poder acumulado pelo seu patrão Proença de Carvalho, dois títulos contíguos, de duas notícias cuja proximidade até pode ser uma simples coincidência: 1 - "Advogado diz que há uma obsessão para prender e condenar Sócrates". 2 - "Nem ter o líder na prisão tirou o 3.º lugar ao Aurora Dourada". Costa Cardoso

Delírios

É difícil distinguir na imprensa portuguesa de ontem o relato jornalístico do "wishful thinking", a avaliar pelos títulos delirantes que acompanham as notícias sobre a vitória da extrema-esquerda na Grécia. Enquanto alguns jornais optam pelas aspas para as frases grandiloquentes dos vencedores, há dois (os ditos "de referência") que levam as suas manchetes ao exagero. Enquanto o "Público" garante que "Grécia vira a página da austeridade e deixa a Europa a fazer contas", o "Diário de Notícias" proclama: "A Europa estremece com a raiva dos gregos". O jornalismo permite que os jornais e as suas direcções tomem partido a favor de dirigentes e candidatos políticos e partidários e não vem daí mal ao mundo, desde que as opções sejam claras e fundamentadas e que não enganem o público. Mas não parece ser o caso na emissão dos "wishful thinkings" desta malta que depois, como se verifica no "DN" (o tal que não ...

A deontologia não enche a barriga

Armados, às vezes, em paladinos da deontologia profissional e do "jornalismo de causa", os jornalistas do "Diário de Notícias", da TSF e do "Jornal de Notícias" mantêm-se silenciosos quanto ao que se publicou e se  disse sobre o seu patrão Proença de Carvalho, o modo como (segundo o "Correio da Manhã") terá servido o ex-primeiro-ministro preso e as ligações a empresas e grupos económicos que são, ou podem vir a ser, anunciantes do "DN", da TSF e do "JN". Não dá jeito hostilizar o patrão, não é? Costa Cardoso

Antes de o ser já o era?...

Notícia: "A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, anunciou esta quarta-feira no parlamento que o Governo vai pedir autorização aos parceiros europeus para proceder ao reembolso antecipado do empréstimo (...)" Título: "FMI ainda desconhece intenção de reembolso antecipado de Portugal". Só no "Diário de Notícias", pois claro, onde haveria rajada de objurgatórias se a ministra tivesse comunicado às instâncias internacionais a intenção antes de a comunicar na Assembleia da República. Costa Cardoso

Pura e simples burrice

Há coisas que a gente vê nos jornais que até nos fazem pensar se somos nós que estamos errados. Passei a vida toda a escrever "ênfase", a dizer "ênfase" e a ler "ênfase" e, de repente, um título do "i" atira-nos à cara com "enfâse" em: "Inquérito: PwC avisou KPMG sobre enfâses nas contas do BES". Isto já nem é iliteracia. É burrice, pura e simples. Costa Cardoso

E ninguém diz nada?

O advogado de José Sócrates ontem disse claramente que o juiz Carlos Alexandre e o Procurador Rosário Teixeira eram transmissores para a imprensa dos conteúdos do processo contra Sócrates que estão em segredo de justiça. Assim, afirmou que estas personagens são criminosas. Afirmou ainda que o Procurador anda a informar o Correio da Manhã sobre as suas intenções e desconfia dos juízes da Relação. Curiosamente, hoje, nem um eco destas afirmações... TM