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Opacidade

A "Operação Marquês" ou "caso Sócrates" vai-se resolvendo pelos jornais: os pormenores do inquérito que vão saindo no "Correio da Manhã", no "Sol" e no "Expresso", as declarações e entrevistas dos advogados de defesa (o duelo verbal do advogado do ex-primeiro-ministro com o advogado do "arrependido" ex-motorista, que de facto "abriu o jogo" no "i"), os comentários dos defensores pessoais do ex-primeiro ministro (defendendo-o, no "Expresso", Miguel Sousa Tavares fez um interessante resumo do processo... deixando mal o defendido), as visitas da "nomenklatura" do PS a Évora... Para quem sabe como a imprensa funciona e conhece as variadas obediências que nela grassam, as coisas são relativamente transparentes. Mas para o grande público não são e tudo se transforma numa cansativa bolha opaca. Não sei se há maneira de tornar as coisas mais claras (o que implicaria o fim completo do segred...

Combate e Direito

Podemos ser contra Sócrates e achar que o motorista foi preso para o pressionar a " chibar" o patrão? Podemos pensar que Salgado tem responsabilidades graves na queda do BES/ GES e acreditar que é proibido divulgar as gravações do que se passava no Conselho Superior, sem autorização dos presentes? Podemos ser contra Sócrates e perceber que a prisão preventiva é aplicada de forma errada em Portugal, sendo Sócrates mais uma vítima dessa má aplicação? Podemos pensar que Salgada tem responsabilidades graves na queda do BES/GES e acreditar que as perdas de milhares de milhões no BES que levaram à resolução deste, são uma mera manigância contabilística?  rv

Ainda vão dizer que é uma simples coincidência

À insistente romaria dos dirigentes do PS ao Estabelecimento Prisional de Évora, junta-se hoje (sexta-feira) um elemento mais inquietante. O "Diário de Notícias" garante: "Procuradores que investigam Sócrates só levaram 8% dos casos a julgamento". Traduza-se: eles são incompetentes e, quem sabe?, talvez estejam a manter preso o ex-primeiro-ministro por motivos juridicamente indevidos ou de simples política. Seria interessante saber qual o desfecho desses 8 por cento de casos (condenação ou absolvição dos réus) mas, se existe, a informação não se faz notar no "DN".. Parece uma simples coincidência, não é? Que mais virá a seguir que ponha em causa o inquérito? Costa Cardoso

Jornalismo de papagaio

Título do "i" para uma notícia cheiinha de dados do Instituto Nacional de Estatística: «Cinema com menos sessões, espectadores e receitas de bilheteira em 2013». O que falta: porquê? Porque é que isso aconteceu? Aquilo de que, felizmente, não se lembraram: «A culpa é da crise». Uma explicação para o papaguear das estatísticas: os jornalistas também «sacam» filmes da «net». Costa Cardoso

Os defensores de Sócrates e a hipocrisia moral ou Kant de pernas para o ar

Não existe qualquer prazer em ver um ser humano em prisão preventiva. É verdade que em Portugal as regras conducentes à prisão preventiva são demasiado elásticas e utilizadas com demasiada displicência pelos juízes de instrução.  Por estes motivos, não haveria muito a dizer sobre a prisão de José Sócrates que já não tivesse sido dito sobre outras prisões. A justiça da prisão preventiva de Sócrates tem que ser confrontada com o direito habitualmente aplicado e não com cânticos de passarinhos agastados com a queda da plumagem do seu líder. Recentemente no julgamento da Universidade Independente, um distinto Professor que muito prezo, antes da audiência, dirigiu-se-me afirmando, agastado, que não gostava nada do que eu havia referido acerca de José Sócrates e a Universidade Independente numa televisão. E vai daí quando presta depoimento em sala, presta- o de forma enviesada, e em parte, de forma pouco consentânea com a verdade.  Este Professor de Direito demonstrou o que s...

A espuma das ondas

Por ordem cronológica:  1 - Os jornais noticiaram que o motorista de José Sócrates tinha ido a Paris levar malas e/ou envelopes com dinheiro ao ex-primeiro-ministro. 2 - O motorista pediu para ser ouvido em novo interrogatório e, depois dessa ocasião, foi o próprio Ministério Público a propor o fim da sua detenção em estabelecimento prisional e a sua detenção apenas domiciliária. 3 - Depois desse interrogatório foi salientada a ruptura do vínculo laboral entre o motorista e o ex-primeiro-ministro, terminando desse modo a dependência formal do arguido motorista do arguido José Sócrates. 4 - As informações sobre o transporte de envelopes e/ou malas com dinheiro regressaram às notícias. 5 - O advogado de José Sócrates fez questão, irritadamente, de afirmar que o carro do "engenheiro" nunca tinha passado de Espanha (ou seja, que não tinha entrado em França). Já que os jornais não são muito dados, actualmente, a exercícios de raciocínio lógico, não quererá o nosso...

A diferença...

... entre o jornalismo acéfalo e o jornalismo capaz de, dando notícia, interrogar a realidade é esta: a primeira modalidade limita-se ao título estatístico ("Utentes do metro enfrentaram vinte greves em dois anos", hoje no "Diário de Notícias") e a segunda tenta perceber o que conseguiram ganhar os grevistas com a sua vintena de greves. Porque a isto e a muitos outros casos de agitação laboral está subjacente uma coisa (que só um jornalismo profissional e independente de poderes fátuos pode conseguir): qual é, em toda a sua extensão, o poder dos sindicatos e porque é que, no caso dos transportes públicos, são os "utentes" (eu, o leitor, todos nós, directa ou indirectamente) a sofrer os prejuízos de greves sem qualquer tipo de balanço e nunca o "patronato"? Costa Cardoso