É possível que Donald Trump seja um bom pai de família. E que saiba comer à mesa. Que não mastigue de boca aberta, que não coce o cabelo com o garfo, que não arrote nos intervalos entre os pratos. Mas é certo que a personagem, na sua aparência, não é atraente. O casaco, ou sobretudo, tipo fraque, a gravata que lhe vai às partes, o tom alaranjado da pele, o penteado que já foi parecido com um ninho de pássaro e que agora se apresenta mais alisado… E há o modo como fala, ligeiramente inclinado para a frente, como se fosse cuspir palavras mais acesas contra os seus interlocutores. Nota-se, no entanto, que anda divertido. O que não lhe diminui a arrogância e a sobranceria, típicas de quem não terá tido de depender muito dos outros no seu percurso de poder. Trum foi eleito, respeitados os mecanismos do sistema político presidencialista dos EUA, presidente de um dos países maiores e mais fortes do planeta. O que anunciou e o que já parece ter decidido, em termos políticos, agitou m...
A queda do Muro de Berlim, em 1989, foi um trauma. Nenhum comunista escapou ileso à fuga em massa dos alemães da ex-República Democrática Alemã do seu país e dos muitos outros que se lhes juntaram: então já não queriam lá estar?! Uns terão regressado, outros não, os regime do “socialismo real” foram caindo como pedras de dominó e o que hoje resta é uma Rússia com alguns Estados agregados, que tem mais a ver com a Rússia czarista do que com o centro da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Em Portugal, alguns comunistas foram-se afastando do PCP. Outros ficaram. O discurso da direcção do PCP foi unânime: era tudo uma fabricação, fazia tudo parte de uma “campanha”. Só lhes faltou dizer que o Muro de Berlim não tinha caído e que as imagens da fuga do Leste eram uma invenção. Os comunistas que ficaram no partido aceitaram a ideia. Sentiram-se, decerto, mais confiantes: ainda era possível acreditar na Terra Prometida. O que fazia as normas da fé era o “Avante!”. E...
É quase uma "lei" da história. A Alemanha unida torna-se sempre demasiado grande para a Europa e inepta nas suas relações internacionais, acabando por se comportar como o elefante da loja de porcelana. Foi assim, nas vésperas da Primeira Guerra Mundial, foi a continuação na Segunda, e está de novo a ser. A história repete-se. A Alemanha fica forte, começa a querer comandar e não consegue, e de repente sente-se humilhada e caminha de frustração em frustração até explodir. Este ano já assistiu a três humilhações da poderosa Alemanha. Primeiro, foi o BREXIT, apesar do aproveitamento xenófobo e racista que está a ser estranhamente feito pelos "vencedores" do BREXIT e pelo governo Tory ( e não, Theresa May, não é nenhuma Thatcher, e vai dar asneira), a saída de Inglaterra da UE foi o primeiro passo de um confronto com a hegemonia alemã. Os ingleses têm ainda muito viva a memória histórica da II Guerra, e não concebem viver numa Europa comandada por Berlim. Por isso, r...
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