Mensagens

António Costa: o filho de Maduro e de Trump

Conheci, pessoalmente, o actual chefe do Governo quando ele era dirigente estudantil e/ou da Juventude Socialista. Trabalhando eu como jornalista (na área da educação), entrevistei-o para “O Jornal da Educação”.  O jovem António Costa não gostou de qualquer coisa que eu escrevi e dirigiu-me um protesto, já nem sei se directo ou indirecto, fazendo saber que não falaria mais comigo. Não dei grande importância ao incidente, até porque ele não a tinha. E eu não precisava realmente do jovem dirigente como fonte de informação. Encontrei-o, mais tarde, numa situação diferente e, tanto quanto me recordo, ele nem sequer me cumprimentou. E eu também não fui ao beija-mão. Nunca fui capaz de ter qualquer admiração pelo seu percurso político e se, para mim, ele procedeu com deslealdade para com o secretário-geral do PS que quis derrubar, o certo é que o problema era lá com eles. Também não gostei nada da atitude do então presidente da Câmara Municipal de Lisboa quando a capital foi alagada pela chuva…

Pedro Passos Coelho: o estadista com azar

É possível que Pedro Passos Coelho não volte a ser primeiro-ministro. E acrescento já: infelizmente.  As sondagens (mas só de duas empresas) dão o PSD como constantemente em queda. Parte significativa do eleitorado (onde tem peso fundamental a função pública, já beneficiada com acréscimos salariais constantes pelo actual Governo) parece preferir o PS. Uma ala significativa do PSD, que parece não ter beneficiado com Passos Coelho, sente-se mais ambientada no “bloco central” e gostaria de substituir-se ao PCP e ao BE como muleta deste PS). Passos Coelho foi o rosto da austeridade a que o PS, em 2011, nos condenou. Ganhou bem as eleições desse ano mas talvez tivesse pensado que as coisas pudessem ser mais fáceis. Talvez esperasse que o PS assumisse as responsabilidades que teve na bancarrota. Mas não foi o caso. Manteve-se, no entanto, firme e determinado, não cedeu a um homem como Ricardo Salgado e é legítimo pensar que também deve ter dito “não” a outros. Não cedeu à pressão “irrevogável”…

Universidade Independente.10 anos depois. Condenações?

Ontem, saiu a decisão de 1.ª instância referente ao caso Universidade Independente. Há muitas coisas importantes a referir relativamente a esta decisão.  A principal das quais é que absolveu todos os arguidos dos crimes essenciais, e que levaram a todo o frenesim de 2007. Assim, deu-se como não provada, e absolveram-se todos, da associação criminosa, das burlas, dos abusos de confiança, da corrupção, do branqueamento de capitais. Sobretudo, comprovou-se que a Universidade foi criada como um projecto sério, com ambições científicas e de inovação. Também se comprovou que o nenhum dos arguidos se apropriou de um cêntimo que fosse da Universidade e que os seus actos nunca visaram o seu benefício pessoal. Isto é muito importante de ser sublinhado. Os crimes pelos quais alguns dos arguidos foram condenados em penas suspensas respeitam à sua esfera pessoal e não representam qualquer desvio de fundos. Por aqui se vê que todo o processo foi uma inventona política de José Sócrates, que contou com a cu…

Universidade Independente e Sócrates: Não há Justiça. Só teatro trágico.

Os casos Universidade Independente e José Sócrates têm como arguidos pessoas diferentes, mas têm uma grande semelhança: demonstram que não existe justiça em Portugal, apenas um teatro trágico. Tal como se viu nos fogos de Pedrogão ou em Tancos que o Estado não funciona, a realidade é que na Justiça há muito tempo que o Estado não funciona e todos "assobiam para o ar" utilizando aquela expressão hipócrita "à política o que é da política, e à justiça o que é da justiça". O problema é que a justiça tornou-se um problema político. É política e de lá não sai.
O caso Universidade Independente começou em 2006, tendo tido notoriedade pública em 2007 com a efectivação de umas prisões preventivas, essencialmente por perigo de fuga. Uma dessas prisões foi declarada ilegal pelo Tribunal da Relação de Lisboa e o arguido libertado. O MP requereu a libertação do outro, de seguida, após essa declaração de ilegalidade.  Hoje passados mais de 10 anos, os arguidos já poderiam ter fugid…

Em resumo...

Há duas semanas e meia morreram 64 pessoas num incêndio no centro do País, que deixou um rasto de prejuízos, feridos (mais de 200) e devastação como nunca antes se vira. Os responsáveis do Ministério da Administração Interna, do topo à base, andaram descontrolados. O Presidente da República disse que era o melhor que se podia fazer e depois tentou emendar a mão. Foi, praticamente, a última vez que apareceu em público o ainda primeiro-ministro. Os seus parceiros PCP e BE perderam o pio, mais ou menos ao mesmo tempo. Uma semana depois, o primeiro-ministro mandou fazer um estudo de opinião, achou que toda a gente estava satisfeita com ele e pirou-se para férias, para uma ilha espanhola. Entretanto, os mortos continuaram mortos, o rasto de destruição continua à vista de todos e o Presidente da República começou também a perder o pio. A ministra da Administração Interna fez saber que o incêndio florestal tinha sido grande, verteu umas lágrimas parlamentares e deixou que se generalizasse a g…

Pedrógão Grande: os nus e os mortos

Os incêndios florestais são uma rotina. Afectam todos os governos. As responsabilidades são públicas e privadas. São lá longe, no interior, mais ou menos esquecido. Tem sido sempre assim. Mas nunca com tantos mortos. É isso, até, o que mais impressiona no caso de Pedrógão Grande. Além do facto de as mortes ocorridas (64, pelo menos, com todas as dúvidas que advêm da não identificação de corpos carbonizados e destroços por revolver) não terem sido, na sua maioria, em locais directamente afectados pelas chamas mas numa estrada pelo meio de árvores. Que se incendiaram. E para onde a GNR desviou o trânsito. Uma semana depois não há resposta para todos os enigmas. Nada parece claro. Não se percebe como as autoridades civis, policiais e políticas não agiram, agiram mal ou descoordenadamente. Olha-se para os números e as suspeitas de encobrimento são mais do que muitas. Não se percebe como é que falharam os sistemas da “protecção civil”. Não se aceita, ao mesmo tempo, a leviandade, a demagogia…

Trump: e se nos informassem?

Num dos seus espaços de comentário na SIC, Miguel Sousa Tavares (que dificilmente se poderá considerar um modelo) proclamou que Donald Trump “não podia” ser presidente dos EUA porque — por estas palavras ou outras de sentido idêntico — vestia-se mal. Tanto quanto me recordo, não se referiu ao cabelo nem ao tamanho das gravatas do alvo da sua ira. Mas podia tê-lo feito. Este tipo de comentário é hoje o paradigma do que a imprensa portuguesa, em geral, publica sobre o presidente dos EUA e sobre tudo aquilo que é americano e que tem a ver com o domínio do poder executivo local (do aparelho de Estado às decisões de governo, passando pela política externa). Mas não só: é porque a mulher não lhe dá a mão, ou porque uma actriz famosa o critica, ou porque — lá chegaremos, se isso se souber — ele deixa o tampo da retrete levantado depois de urinar. Com Trump na presidência há meio ano, é quase impossível saber pela imprensa portuguesa o que realmente se passa na política interna e na política ex…