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Trump: e se nos informassem?

Num dos seus espaços de comentário na SIC, Miguel Sousa Tavares (que dificilmente se poderá considerar um modelo) proclamou que Donald Trump “não podia” ser presidente dos EUA porque — por estas palavras ou outras de sentido idêntico — vestia-se mal. Tanto quanto me recordo, não se referiu ao cabelo nem ao tamanho das gravatas do alvo da sua ira. Mas podia tê-lo feito. Este tipo de comentário é hoje o paradigma do que a imprensa portuguesa, em geral, publica sobre o presidente dos EUA e sobre tudo aquilo que é americano e que tem a ver com o domínio do poder executivo local (do aparelho de Estado às decisões de governo, passando pela política externa). Mas não só: é porque a mulher não lhe dá a mão, ou porque uma actriz famosa o critica, ou porque — lá chegaremos, se isso se souber — ele deixa o tampo da retrete levantado depois de urinar. Com Trump na presidência há meio ano, é quase impossível saber pela imprensa portuguesa o que realmente se passa na política interna e na política ex…

Sócrates: o mar de lama

Ainda não percebi se Sócrates representa uma excepção, ou teve azar porque esticou demasiado a corda e foi descoberto, não tendo, contudo, feito diferente dos outros. Se repararmos em tudo o que tem vindo a lume acerca do consulado de Sócrates, este foi um mar de lama, ou melhor, um mar de merda, em que ele se atolou e com ele o país inteiro. Os factos são inúmeros: -A falência do Estado Português e o recurso à "ditadura" da troika; -O colapso do BCP; -As negociatas do BES/GES; -O colapso da PT; -As negociatas da EDP; -O encerramento da Universidade Independente; -O Freeport; -A manipulação dos principais cargos da justiça. -A castração da TVI. E muitos mais haverá por descobrir.  Neste vórtice foram indelevelmente assassinados os caracteres de pessoas diferentes como Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Manuela Moura Guedes,Fernando Lima, António Labisa,Rui Verde, e muitos outros, com ou sem razão. Mas, a realidade é que Sócrates criou um mundo em que o primeiro desiderato foi o saque …

Como o politicamente correcto está a matar a democracia (2): o protofascismo

Há pouco tempo, tendo chegado à fila do supermercado com meia-dúzia de compras, fui interpelado pela empregada com um esforçado “Olhe, não se importa de dar prioridade?”. Ela apontou e eu vi a pessoa a que eu devia – por lei, já lá vamos – “dar prioridade”: uma jovem de vinte ou trinta anos com uma criança, que parecia ter talvez uns dois anos, num carrinho de bebé dos que parecem verdadeiros veículos de combate. Cedi. A criatura, que eu já tinha visto a passear-se calmamente no supermercado, pagou as suas ou três compras, e passou. Sem olhar para mim, sem agradecer. Mas, talvez apanhada de surpresa, produziu um “Obrigada” contrariado quando eu a interpelei: “Ao menos, agradeça.” A explicação de base para esta atitude está numa lei recente (Decreto-Lei n.º 58/2016, de 29 de Agosto), que define uma prioridade que é praticamente absoluta para todas as filas de espera. Abrange idosos, deficientes, grávidas e “‘Pessoa acompanhada de criança de colo’, aquela que se faça acompanhar de criança…

Como o politicamente correcto está a matar a democracia (1): a nova censura

Às 22h08 de ontem, sábado, dia 3 de Junho de 2017, houve mais um atentado terrorista que, à hora em que escrevo, tinha provocado 7 mortos e 48 feridos. Algumas testemunhas ouviram os gritos dos atacantes a referirem-se a Alá. Às 00h25 a Polícia londrina informava ter-se tratado de um ataque terrorista. Não sei a que horas fechará a edição diária do jornal “Público” mas não deve ser, decerto, antes da meia-noite. E, como em todos os jornais, haverá seguramente alguma margem horária, se houver notícias de última hora que o justifiquem. Portanto, o “Público” poderia ter noticiado o atentado, como tal. Mas não o fez. O que fez, em vez disso, foi uma pérola do jornalismo dos nossos dias (ou, melhor, de um neojornalismo que está a substituir o jornalismo em Portugal): no canto inferior esquerdo da primeira página, publicou o título “Várias pessoas atropeladas e esfaqueadas em Londres” e o texto “Novo ataque no centro da capital britânica fez várias vítimas na Ponte de Londres e num mercado pr…

Os negacionistas da realidade (eu)

Acredito que o Holocausto aconteceu. Não ponho em dúvida o sofrimento do povo judeu e a selvajaria alemã. Acredito que o 9/11 foi o resultado da acção de um grupo de terroristas comandados por Bin-Laden, e não uma conspiração da CIA. De um modo geral, a minha crença na realidade é a semelhante ao "reasonable man" do direito inglês.  Por isso, sinto-me à vontade para dizer que não acredito absolutamente nada nas "boas notícias" que supostamente aparecem sobre a economia portuguesa. Não quero com isto dizer que se estejam a falsear estatísticas ou números, mas apenas que esses números, à partida, não representam aquilo que está a ser assumido: que a economia portuguesa está numa rota ascendente e que tudo começa a caminhar para o melhor dos mundos, sendo apenas a dúvida se os "louros" se devem às fundações estabelecidas por Passos Coelho ou à magnífica gestão macroeconómica de Costa e Centeno. O que estamos a assistir são blips, semelhantes àquelas molas que …

Aconteceu!

Aconteceu! Assim reagiu João Salgueiro às notícias sobre o crescimento português nos últimos tempos, afirmando que não se havia feito nada para tal resultado. Na realidade, é bom quando a economia funciona sem o Estado, é sinal que milhões de pessoas tomam as suas decisões e movem-se sem estar à espera do Governo. Nesse sentido, a perplexidade de Salgueiro seria uma tradução das virtudes da economia livre: o governo não fez nada, mas a economia mexeu-se. É assim mesmo! Contudo, não é o caso. Devem existir muitas explicações para os números do crescimento recente português, mas nenhuma assenta numa visão de uma economia com fundamentos sólidos e a arrancar para um período de crescimento sustentado. Nada, mas nada de nada, foi feito para criar um quadro macroeconómico favorável ao investimento, à produtividade e à competitividade em Portugal, símbolos reais de qualquer crescimento.  Vivemos uma bolha de ilusão, trazida pelos mesmos arautos do socratismo, agora transformados em costistas do…

O erro de Varoufakis e Portugal

O novo livro do antigo ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, Adults in the Room,é muito interessante de ser lido apesar do seu inglês torturado. As ideias de Varoufakis são claras, e saímos convencidos dos seus argumentos. O que sobressai indelevelmente do livro é a importância, melhor, a completa predominância da Alemanha na União Europeia. Efectivamente, a força encontra-se toda na Alemanha e tal é reconhecido quer pelos Estados-Membros da UE, quer pelas outras potências mundiais, como a Rússia, a China ou os EUA. A UE é coisa alemã e não se deve lá intervir. Também é claro que a Alemanha vê o Euro como o seu Marco, sendo este a base da sua prosperidade. Assim, a Alemanha não admite "brincadeiras" com o Euro e com a política económica que o possa prejudicar, do seu ponto de vista.Por isso, as tentativas francesas de aligeirar a pressão à Grécia foram debeladas, sem pejo em humilhar os dirigentes franceses, seja Moscovici, seja o actual Presidente francês Macron,…

Só aplaudo a Eurovisão

Os últimos dias foram de geral histeria colectiva: o Papa, o Benfica, a Eurovisão e o crescimento económico. Só aplaudo a Eurovisão. Finalmente, depois de inúmeras humilhações, ganhámos. E ganhámos bem, com uma música bonita. A visita do Papa foi uma visita envergonhada (sabe-se lá porquê) que nem um dia demorou. Não se consegue perceber porque razão o Papa foi tão parcimonioso no tempo que dispensou a Portugal. Haverá algum conflito entre ele e a nossa igreja comercial e conservadora? Estas visitas papais que não trazem mensagem de fundo, que não criam qualquer coisa, ou transformam qualquer realidade, assemelham-se a visitas de estrelas de rock. Vêm, dão o concerto e vão-se embora. No fim só fica o lixo da assistência. Deste Papa evangélico esperava-se mais, muito mais. Quanto ao Benfica é bom (sou do Benfica), mas o futebol ocupa demasiado espaço na esfera pública. Nada justifica o exagero comemorativo.  Finalmente, o crescimento económico. Sou daqueles que sempre criticou a política d…

Como o neojornalismo está a matar o jornalismo português

A última vez que me lembro de ver o que corresponde ao conceito de investigação jornalística foi há meses, no “Expresso”, sobre empresas “off shore” e lavagem de dinheiro. Mas a investigação parou de repente, depois de duas ou três referências a uma lista de “políticos” e “jornalistas” que seriam avençados do Grupo Espírito Santo. Não foi tornada pública, por motivos que, no exercício da liberdade de imprensa, soam a pouco sinceros. A investigação jornalística desapareceu da imprensa portuguesa. Os “casos” na esfera política, policial e/ou financeira resumem-se aos que já estão a ser investigados pelas autoridades policiais. Mas não foi só a investigação jornalística que desapareceu. A iniciativa também desapareceu. Hoje, salvo incursões por domínios sociais de maior ou menor relevância, a reportagem foi de férias. O desaparecimento da especialização matou a capacidade de iniciativa. Os apertos financeiros também. E o compromisso político a mesma coisa. O grupo empresarial e de comunicaç…

O Papa em Fátima. O triunfo da hipocrisia.

Qualquer católico que acredite no Evangelho e na primeira mensagem de Cristo: Deus é Amor, só pode ficar estupefacto com esta vinda do Papa a Fátima e do festival que a rodeia. Fátima e Nossa Senhora já tiveram visitas suficientes de Papas. Não lhes sentirão a falta. Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI. Todos os Papas recentes, com a excepção do malogrado João Paulo I (que nem teve tempo para isso) vieram a Fátima. Mas tem que ficar a pergunta: o que isso adiantou para a Igreja e a comunidade portuguesa? Tudo se assemelha a um grande negócio e uma mão-cheia de cerimónias pomposas. Mais importante ( e este Papa tem sensibilidade para isso, quem não tem é a acomodada e conservadora Igreja portuguesa) era que o Papa se dedicasse ao sofrimento dos sem-abrigo em Portugal, ao exagero dos presos nas cadeias, à discriminação dos africanos e a muitas mais pechas sociais e económicas que afectam o país visitado por Nossa Senhora. Dirão que o Papa não pode resolver esses problemas. Pois não. Mas pod…

Anestesia Colectiva

O mundo está aos trambolhões. Desde o Brexit, a Trump, ao Lava-Jato, à transição em Angola, às eleições francesas, os paradigmas a que nos habituámos estão em mudança. No entanto, olhamos para Portugal e a discussão é à volta do Benfica, do Sporting e das vacinas (esta última discussão até é importante e devia alertar para os perigos das amizades em demasia com a natureza: o comunismo vermelho fanático do século XX, tornou-se no ambientalismo verde fanático do século XXI..., mas esta é outra questão para discussão noutra altura). Contudo, Portugal é um país sem destino. Tem uma justiça que nem numa caricatura pode ser espelhada, uma economia que agoniza (apesar de estatísticas "positivas" que se sucedem, mas só devem alegrar alguns funcionários partidários que sempre tiveram emprego). Sobretudo, o país vive uma espécie de "vingança de Sócrates". Aqueles que apoiaram o desvario socrático estão de volta (mesmo já não se atrevendo a defender Sócrates) malham em Passos C…

O "milagre" português: mendigos e turistas

Portugal vive duas realidades. Uma descrita na imprensa, pelos comentadores e sibaritas afins. Um país em que tudo vai no melhor dos mundos e melhor estará daqui a uns meses.  Depois, há o país de quem anda nas ruas. Uma das coisas mais impressionantes é a quantidade de mendigos. Estão por todo o lado, surgem por todo o lado. E não são aqueles romenos, que justa ou injustamente, são acusados de pertencer a redes organizadas. Parecem ser pessoas sem pão e sem solo. E este é um facto, o número de mendigos aumentou e muito em Portugal.Quem se preocupa com eles? O Presidente da República parece que sim. Esperemos que não seja como a história do cão que só serviu para umas capas de jornal... Além dos mendigos, os desempregados que conhecia, continuam desempregados, os empresários que conheço continuam sem perspectivas de melhorias e desanimados. Por isso, não percebo onde está o crescimento? O metro tem as escadas rolantes avariadas. Os comboios para o Porto cheiram mal e estão enferrujados.…

O imposto europeu sobre os excedentes externos alemães

Lord Palmerston, antigo primeiro-ministro inglês, dizia que os países não têm aliados eternos, mas interesses eternos. É óbvio que esta é a regra básica da diplomacia internacional, por isso é ridículo os discursos que se fazem em Portugal e noutros países sobre a solidariedade europeia. Não existe, nem tem que existir. Quando muito há um bocadinho para a fotografia, e pouco mais.  Assim sendo, quando Portugal se põe na pedinchice à Alemanha, invocando o espírito da solidariedade europeia, está a perder tempo e dignidade soberana. No entanto, há um ponto em que Portugal e muitos outros (como Trump) têm razão, a Alemanha tem beneficiado com o Euro nas suas transacções externas. Esta moeda por ser mais fraca na relação cambial que o antigo Marco Alemão, facilita as exportações alemãs e cria um dos desequilíbrios mais acentuados na União Europeia, o dos excedentes externos alemães. Este desequilíbrio também é severamente perturbador do normal funcionamento da Zona Euro, tal como as dívidas …

Dia das mentiras ou ano das mentiras?

Lê-se no jornal  que Centeno foi sondado para ocupar o lugar (inexistente nos Tratados) de Presidente do Eurogrupo. Só se pode calcular que seja a mentira do 1 de Abril, que eleva à potência máxima a mentira que este ano tem sido em Portugal. Dizem que temos um romance institucional entre Presidente da República e Primeiro-Ministro, mas a realidade é que foi o PR que esfrangalhou a estratégia do Governo para a CGD. Vamos agora ver os estragos que o arauto Marques Mendes vai fazer acerca do Novo Banco... Mas, a alta política (ou baixa) não é o mais importante. Importante é a falácia que corre sobre a economia.Anuncia-se que tudo vai no melhor dos mundos, o déficit baixo, a economia a crescer, o desemprego a descer, e etc. Não acredito num milímetro que seja destas notícias. A economia portuguesa está enferma desde 2000. Não tem competitividade, produtividade, flexibilidade. Não adquiriu nada disto este ano. Talvez tenha tomado um copo de espumante que a inebriou um pouco...Mas estruturalm…

Sondagens, função pública, compra de votos e má memória

O jornal “Expresso” e a empresa Eurosondagem têm sido, nos últimos meses, os únicos protagonistas de sondagens políticas que visam a posição eleitoral, ou pré-eleitoral, dos principais partidos e muito, ainda, em função das eleições legislativas de 2015.
São, por um lado, as eleições mais recentes e são, por outro, as que deram origem à bizarra aliança governativa dos partidos derrotados contra os dois partidos que, organizados em coligação, venceram as eleições. A tendência registada tem sido constante: o PS vai subindo nas intenções de voto e o PSD vai descendo. São resultados que até podem ser genuínos (embora falta a prova de outras) e que, obviamente, alimentam expectativas de uma maioria absoluta do PS e o desespero dos adversários externos e internos do presidente do partido que efectivamente ganhou as eleições de 2015. Estas sondagens representam, em termos de intenção de voto, uma reviravolta: derrotado nas urnas quando era partido de oposição, o PS parece beneficiar do facto de…

Sócrates: o PS foi cúmplice ou corno?

José Sócrates disputou as primeiras eleições, que ganhou, como secretário-geral do PS, em 2005. Tinha sido ministro do Ambiente no governo anterior. Ganhou as eleições seguintes, na mesma situação, em 2009. Este mandato não chegou ao fim quando o Estado, governado pelo PS, chegou a uma situação de pré-bancarrota. Sócrates levou consigo para o Governo, e como secretário-geral do PS, suspeitas (que o sistema judicial nunca confirmar nem infirmar) sobre assinaturas “de favor” numa câmara municipal, vantagens obtidas com a Central de Compostagem da Cova da Beira, uma licenciatura de validade discutível por uma universidade privada que o seu governo obrigou a fechar e suspeitas de favorecimento patrimonial, enquanto ministro do Ambiente. O PS, que se saiba, nunca levantou dúvidas sobre estas matérias. E quando, por causa do “caso Freeport”, Sócrates fez um grande alarido sobre a “campanha negra” de que estaria a ser vítima, o PS apoiou-o. A Operação Marquês, que o levou à prisão preventiva, …

Portugal está um país perigoso

Olha-se para o que se passa à nossa volta e uma sensação shakespereana (passe a expressão) toma conta de nós: "Something is rotten in the state of Denmark.", dizia Marcellus na peça do autor inglês. Pois, a mesma podridão perpassa o Estado português e as suas instituições. Uma podridão lenta, nefanda, que se insinua sem se dar conta, mas está lá, no centro do poder, de todos os poderes. Portugal é um país pacífico, a criminalidade corrente é diminuta (embora as prisões estejam cheias!). A criminalidade portuguesa é a alta criminalidade e encontra-se praticamente localizada entre o Terreiro do Paço e a Avenida da Liberdade. Contudo, a questão não é de mera criminalidade. É mais ampla: é de perda de sentido de Estado, desagregação da comunidade política. Vejamos vários exemplos. Por razões ainda não publicadas (na hora a que escrevo) o Supremo Tribunal declarou que o Juiz Rui Rangel estava impedido de julgar o caso de Sócrates por não ser imparcial. Esta declaração não é um mero …

O BE e a defesa do capitalismo financeiro ou as voltas do conformismo

O BE é um partido que se tem definido por algumas causas justas: i) a política face a Angola. É o único partido que não tem uma postura servil face ao poder ditatorial de Luanda;ii) a promoção em força de um grupo de mulheres para funções de liderança. Não apenas uma ou duas mulheres para cumprir com os ditames do politicamente correcto, mas um tufão delas. E muito bem. Mesmo que não se concorde com as ideias por elas expendidas, marcam um patamar novo e desafiante para a política; iii) a defesa de causas de índole social,muitas das quais representam a evolução da ordem espontânea que os liberais abraçam. Contudo, nos últimos tempos, o que a surpresa trazida pelo BE é a da defesa do capitalismo financeiro e em especial da banca portuguesa, nos termos deprimentes em que esta tem sido gerida e abusada pela oligarquia nacional. O símbolo de tal atitude foi a aceitação por parte de Francisco Louçã da nomeação para um desconhecido Conselho Consultivo do Banco de Portugal. Se este é o facto sí…

Subsídios para o entendimento da Operação Marquês: A conexão Angolana (I)

"O BESA desempenhava um papel fundamental na movimentação internacional de fundos.  O banco angolano controlava seis contas bancárias no Banco Espirito Santo de Portugal, designadamente, a conta # 099517430001 em francos suíços, a conta # 099514570007 em euros, a conta # 099516050000 em libras esterlinas, a conta # 099416440003 em ienes, a conta # 099514560001 em dólares norte-americano e, finalmente, a conta # 099516040005 em Rand Sul- Africanos.  Usando essas contas, a fim de proceder às suas transações internacionais, o Banco Espirito Santo não se submetia a qualquer um dos sistemas de compensação internacionais, utilizados no mercado financeiro global - isso significa, que ninguém controlava ou podia verificar de forma alguma o que é aconteceria no banco de Luanda.  Tínhamos dois bancos separados (BES/BESA) legalmente a funcionar sem controlo formal relativamente às transações entre eles, o mesmo é dizer entre Angola e Portugal. Hoje o BESA, redenominado como Banco Económico é de…

Extinguir os Decretos-Lei

Em rigor, os governos não deviam fazer leis. Apenas executar as leis feitas pelo parlamento. A isto se chama separação de poderes e é visto como uma forma de evitar a tirania.  A realidade em Portugal, de forma muito acentuada, mas noutros países também, é que os governos têm inventado maneiras de fazer leis, e se tornarem uma espécie de ditadores democráticos.  Debrucemo-nos sobre o caso português. Como Gomes Canotilho nota, nenhuma das Constituições monárquicas portuguesas admitiu a emanação pelo executivo de actos normativos com a forma de lei- os Decretos-Lei. Embora também reconheça que a verdade real não corresponderia à verdade constitucional, uma vez que os períodos ditatoriais aconteciam com alguma frequência, e aí o governo legislava. No entanto, era a essa tomada de poderes legislativos pelo executivo que se chamava ditadura nos tempos da monarquia.  A Constituição de 1911 já dava alguma margem ao exercício de funções legislativas pelo executivo, mas sempre com autorização do …