Trump: e se nos informassem?
Num dos seus espaços de comentário na SIC, Miguel Sousa Tavares (que dificilmente se poderá considerar um modelo) proclamou que Donald Trump “não podia” ser presidente dos EUA porque — por estas palavras ou outras de sentido idêntico — vestia-se mal. Tanto quanto me recordo, não se referiu ao cabelo nem ao tamanho das gravatas do alvo da sua ira. Mas podia tê-lo feito. Este tipo de comentário é hoje o paradigma do que a imprensa portuguesa, em geral, publica sobre o presidente dos EUA e sobre tudo aquilo que é americano e que tem a ver com o domínio do poder executivo local (do aparelho de Estado às decisões de governo, passando pela política externa). Mas não só: é porque a mulher não lhe dá a mão, ou porque uma actriz famosa o critica, ou porque — lá chegaremos, se isso se souber — ele deixa o tampo da retrete levantado depois de urinar. Com Trump na presidência há meio ano, é quase impossível saber pela imprensa portuguesa o que realmente se passa na política interna e na política ex…