Mensagens

Anestesia Colectiva

O mundo está aos trambolhões. Desde o Brexit, a Trump, ao Lava-Jato, à transição em Angola, às eleições francesas, os paradigmas a que nos habituámos estão em mudança. No entanto, olhamos para Portugal e a discussão é à volta do Benfica, do Sporting e das vacinas (esta última discussão até é importante e devia alertar para os perigos das amizades em demasia com a natureza: o comunismo vermelho fanático do século XX, tornou-se no ambientalismo verde fanático do século XXI..., mas esta é outra questão para discussão noutra altura). Contudo, Portugal é um país sem destino. Tem uma justiça que nem numa caricatura pode ser espelhada, uma economia que agoniza (apesar de estatísticas "positivas" que se sucedem, mas só devem alegrar alguns funcionários partidários que sempre tiveram emprego). Sobretudo, o país vive uma espécie de "vingança de Sócrates". Aqueles que apoiaram o desvario socrático estão de volta (mesmo já não se atrevendo a defender Sócrates) malham em Passos C…

O "milagre" português: mendigos e turistas

Portugal vive duas realidades. Uma descrita na imprensa, pelos comentadores e sibaritas afins. Um país em que tudo vai no melhor dos mundos e melhor estará daqui a uns meses.  Depois, há o país de quem anda nas ruas. Uma das coisas mais impressionantes é a quantidade de mendigos. Estão por todo o lado, surgem por todo o lado. E não são aqueles romenos, que justa ou injustamente, são acusados de pertencer a redes organizadas. Parecem ser pessoas sem pão e sem solo. E este é um facto, o número de mendigos aumentou e muito em Portugal.Quem se preocupa com eles? O Presidente da República parece que sim. Esperemos que não seja como a história do cão que só serviu para umas capas de jornal... Além dos mendigos, os desempregados que conhecia, continuam desempregados, os empresários que conheço continuam sem perspectivas de melhorias e desanimados. Por isso, não percebo onde está o crescimento? O metro tem as escadas rolantes avariadas. Os comboios para o Porto cheiram mal e estão enferrujados.…

O imposto europeu sobre os excedentes externos alemães

Lord Palmerston, antigo primeiro-ministro inglês, dizia que os países não têm aliados eternos, mas interesses eternos. É óbvio que esta é a regra básica da diplomacia internacional, por isso é ridículo os discursos que se fazem em Portugal e noutros países sobre a solidariedade europeia. Não existe, nem tem que existir. Quando muito há um bocadinho para a fotografia, e pouco mais.  Assim sendo, quando Portugal se põe na pedinchice à Alemanha, invocando o espírito da solidariedade europeia, está a perder tempo e dignidade soberana. No entanto, há um ponto em que Portugal e muitos outros (como Trump) têm razão, a Alemanha tem beneficiado com o Euro nas suas transacções externas. Esta moeda por ser mais fraca na relação cambial que o antigo Marco Alemão, facilita as exportações alemãs e cria um dos desequilíbrios mais acentuados na União Europeia, o dos excedentes externos alemães. Este desequilíbrio também é severamente perturbador do normal funcionamento da Zona Euro, tal como as dívidas …

Dia das mentiras ou ano das mentiras?

Lê-se no jornal  que Centeno foi sondado para ocupar o lugar (inexistente nos Tratados) de Presidente do Eurogrupo. Só se pode calcular que seja a mentira do 1 de Abril, que eleva à potência máxima a mentira que este ano tem sido em Portugal. Dizem que temos um romance institucional entre Presidente da República e Primeiro-Ministro, mas a realidade é que foi o PR que esfrangalhou a estratégia do Governo para a CGD. Vamos agora ver os estragos que o arauto Marques Mendes vai fazer acerca do Novo Banco... Mas, a alta política (ou baixa) não é o mais importante. Importante é a falácia que corre sobre a economia.Anuncia-se que tudo vai no melhor dos mundos, o déficit baixo, a economia a crescer, o desemprego a descer, e etc. Não acredito num milímetro que seja destas notícias. A economia portuguesa está enferma desde 2000. Não tem competitividade, produtividade, flexibilidade. Não adquiriu nada disto este ano. Talvez tenha tomado um copo de espumante que a inebriou um pouco...Mas estruturalm…

Sondagens, função pública, compra de votos e má memória

O jornal “Expresso” e a empresa Eurosondagem têm sido, nos últimos meses, os únicos protagonistas de sondagens políticas que visam a posição eleitoral, ou pré-eleitoral, dos principais partidos e muito, ainda, em função das eleições legislativas de 2015.
São, por um lado, as eleições mais recentes e são, por outro, as que deram origem à bizarra aliança governativa dos partidos derrotados contra os dois partidos que, organizados em coligação, venceram as eleições. A tendência registada tem sido constante: o PS vai subindo nas intenções de voto e o PSD vai descendo. São resultados que até podem ser genuínos (embora falta a prova de outras) e que, obviamente, alimentam expectativas de uma maioria absoluta do PS e o desespero dos adversários externos e internos do presidente do partido que efectivamente ganhou as eleições de 2015. Estas sondagens representam, em termos de intenção de voto, uma reviravolta: derrotado nas urnas quando era partido de oposição, o PS parece beneficiar do facto de…

Sócrates: o PS foi cúmplice ou corno?

José Sócrates disputou as primeiras eleições, que ganhou, como secretário-geral do PS, em 2005. Tinha sido ministro do Ambiente no governo anterior. Ganhou as eleições seguintes, na mesma situação, em 2009. Este mandato não chegou ao fim quando o Estado, governado pelo PS, chegou a uma situação de pré-bancarrota. Sócrates levou consigo para o Governo, e como secretário-geral do PS, suspeitas (que o sistema judicial nunca confirmar nem infirmar) sobre assinaturas “de favor” numa câmara municipal, vantagens obtidas com a Central de Compostagem da Cova da Beira, uma licenciatura de validade discutível por uma universidade privada que o seu governo obrigou a fechar e suspeitas de favorecimento patrimonial, enquanto ministro do Ambiente. O PS, que se saiba, nunca levantou dúvidas sobre estas matérias. E quando, por causa do “caso Freeport”, Sócrates fez um grande alarido sobre a “campanha negra” de que estaria a ser vítima, o PS apoiou-o. A Operação Marquês, que o levou à prisão preventiva, …

Portugal está um país perigoso

Olha-se para o que se passa à nossa volta e uma sensação shakespereana (passe a expressão) toma conta de nós: "Something is rotten in the state of Denmark.", dizia Marcellus na peça do autor inglês. Pois, a mesma podridão perpassa o Estado português e as suas instituições. Uma podridão lenta, nefanda, que se insinua sem se dar conta, mas está lá, no centro do poder, de todos os poderes. Portugal é um país pacífico, a criminalidade corrente é diminuta (embora as prisões estejam cheias!). A criminalidade portuguesa é a alta criminalidade e encontra-se praticamente localizada entre o Terreiro do Paço e a Avenida da Liberdade. Contudo, a questão não é de mera criminalidade. É mais ampla: é de perda de sentido de Estado, desagregação da comunidade política. Vejamos vários exemplos. Por razões ainda não publicadas (na hora a que escrevo) o Supremo Tribunal declarou que o Juiz Rui Rangel estava impedido de julgar o caso de Sócrates por não ser imparcial. Esta declaração não é um mero …