Mensagens

Cadernos da Nova Direita Liberal IV. A moeda. Saída do Euro ou concorrência entre moedas

Tem-se tornado um dado mais ou menos adquirido que a adesão ao Euro, realizada nas condições em que foi feita, e considerando o desenho pouco técnico e muito político da moeda única, tem sido prejudicial para o crescimento da economia portuguesa por colocar uma demasiada pressão nas empresas e facilitar em demasia as importações. Tal facilidade não levou a um aumento de concorrência com as empresas portuguesas, mas a um acantonamento destas em áreas não sujeitas a concorrência e à dependência da economia nacional do investimento e consumo públicos, bem como dos sectores no transacionáveis como o imobiliário. Os defensores do “escudo forte” (ou agora do euro forte) afirmam que esta força obriga a economia portuguesa a muscular-se e tornar-se competitiva. Talvez obrigasse se houvesse um plano simultaneamente liberal e ordenado, semelhante àquele que a Alemanha viveu no pós Segunda Guerra Mundial. Mas não há em Portugal apetência por qualquer reforma económica simultaneamente liberal e or…

Os abafadores

Portugal tem andado entretido há uns meses a esta parte com acontecimentos muito interessantes, mas que não passam de colunas de fumo. É a vitória no Campeonato Europeu de Futebol, a derrota nos Jogos Olímpicos, a WebSummit, as simpatias e afectos do Presidente da República, e as trapalhices de Governo com a CGD. Apenas esta última questão tem realmente interesse, mas tem sido apresentada sob a forma de fait divers e não indo ao núcleo da questão, que são as operações bárbaras realizadas pelo bloco central de interesses que pelos vistos levaram este banco à quase falência. E também qual a justificação de se ter um banco público, quando se quer dotá-lo de uma gestão e estratégia estritamente privada?
A realidade é que com a conivência da imprensa institucional as questões centrais estão a ser abafadas. Uma nota para o papel acrítico da imprensa, que mais do que o quarto poder de que falava J.J. Servan Schreiber, se tornou um apêndice do poder executivo, transformando-se, como diria Gramsc…

PCP: reforma ou revolução? (3)

Há cerca de um ano, era dada como certa a substituição de Jerónimo de Sousa no cargo de secretário-geral do PCP, devido à sua idade avançada e à necessidade de renovar a direcção partidária com quadros mais jovens. A certa altura começou a circular que Jerónimo de Sousa, sempre muito activo como deputado e com menos tempos para se ocupar do partido, iria ter um secretário-geral adjunto, que seria o seu sucessor.  De repente, porém, as notícias desapareceram e Jerónimo de Sousa voltou a aparecer como secretário-geral incontestado, quase em paralelo com a aliança informal estabelecida com o PS e com o BE.  O maior envolvimento do PCP no apoio ao governo do PS e o fim da agitação sindical só porque os trabalhadores da função pública e das empresas públicas recuperaram alguns benefícios, foi acompanhado, entretanto, por rumores que davam conta de que alguns sectores partidários estariam crescentemente críticos das posições do actual secretário-geral. A questão é, por um lado, a conversão do P…

A conspirata.

O novo presidente da CGD está a ser queimado na praça pública.Toda a credibilidade que pudesse ter está a ser destruída. Este é um facto.
O estranho é que este ataque demolidor foi começado por Marques Mendes que munindo-se de conhecimentos jurídicos insuspeitos anunciou ao país que o bancário Domingues não ia cumprir uma lei de 1983 e que tal era grave e ameaçava a transparência.  Sem qualquer dúvida o tiro de partida foi dado por Mendes.  Tal é estranho, porque Mendes não é um jurista de alto coturno que ande a investigar as leis antigas e a fazer integrações legislativas. Alguém lhe soprou a sabedoria.  Já se percebeu que Mendes funciona como porta-voz de Belém. Não há sessão em que não elogie o Presidente, adiante as posições presidenciais, defenda o Presidente, é o faz-tudo informal do Presidente. Não será arrojado pensar que o inspirador do Mendes foi o Presidente. Já é conhecida a  história presidencial de criador de factos políticos... Pois aqui temos o Presidente a criar um facto po…

PCP: reforma ou revolução? (2)

“A perspetiva esboçada é reformista e choca-se com o marxismo-leninismo, ideologia assumida pelo PCP. A nossa época não se assemelha à dos anos em que Marx e Lenin – em contextos históricos aliás diferentes – sem rejeitar a luta por reformas, iluminaram o fosso intransponível que separa o reformismo da atitude revolucionária. O marxismo não é estático. A grandeza do leninismo é identificável precisamente pela capacidade de Lenin para inovar como estratego e tático, mantendo uma fidelidade intransigente a princípios, valores e lições do marxismo. Não encontrei essa atitude nas páginas da Resolução [proposta para o XX Congresso, a realizar] dedicadas à política patriótica e de esquerda na luta pelo socialismo.” Quem isto escreveu chama-se Miguel Urbano Rodrigues. Foi, e calculo que ainda seja, jornalista. É militante comunista há mais de 50 anos. Foi fundador e director do matutino “o diário” (que o PCP manteve). Ideologicamente, é ortodoxo. Rigidamente ortodoxo, como demonstrou ao dirigi…

PCP: reforma ou revolução? (1)

O PCP é um partido revolucionário.  Não o afirma claramente nos seus estatutos, onde apenas destaca a “revolução” de 25 de Abril de 1974 mas, no art.º 2.º dos estatutos, declara: “O PCP tem como base teórica o marxismo-leninismo: concepção materialista e dialéctica do mundo, instrumento científico de análise da realidade e guia para a acção que constantemente se enriquece e se renova dando resposta aos novos fenómenos, situações, processos e tendências de desenvolvimento. Em ligação com a prática e com o incessante progresso dos conhecimentos, esta concepção do mundo é necessariamente criadora e, por isso, contrária à dogmatização assim como à revisão oportunista dos seus princípios e conceitos fundamentais.” E o que pretende alcançar com estes pressupostos? Segundo o art.º 6.º dos estatutos, “O PCP tem como objectivos supremos a construção em Portugal do socialismo e do comunismo que permitirão pôr fim à exploração do homem pelo homem e assegurar ao povo português o efectivo poder políti…

A palhaçada não foi já longe demais?

Deveria haver limites para a imbecilização de um povo. O que se tem passado em Portugal nos últimos meses parece comprovar o contrário. Comecemos pelo mais grave. Por estes dias foi apresentado ao país um orçamento. Foi tudo muito confuso, por isso, começou-se por não se perceber nada, para além da retórica do costume.  De repente, contudo, percebeu-se que o orçamento apresentado era falso! Falso, não no sentido de os números lá apresentados serem falsos, mas no sentido de as premissas que foram apresentadas serem falsas. Onde se julgava que o governo gastava mais, afinal gasta menos. Todo o sentido estratégico do orçamento foi falseado. Afinal, há mais ou menos despesa, a receita subiu ou desceu ? Não se percebe bem.  Ou seja, voltámos ao tempo das "engenharias" de Sócrates, estas não realizadas por ele, mas por aquele senhor a quem deram uma medalhinha e agora trabalha para a ditadura angolana. Na altura, desorçamentou-se, modificaram-se perímetros orçamentais, "trinta p…