Mensagens

Os media: Nebulosas e cepticismo

Nos tempos de hoje, pelos meios à disposição, os media conseguem criar facilmente factos, histórias e contextos que podem ou não corresponder à realidade, mas são assumidos como verdadeiros e daí levam às mais variadas decisões e aos mais variados disparates. Este fenómeno não é novo. Já no final do século XIX nos EUA, a chamada imprensa amarela controlada por W. R. Hearst foi acusada de "inventar" os factos que levaram à guerra entre os Americanos e os Espanhóis que levaram à conquista de Cuba pelos primeiros. Cem anos volvidos, a influência dos media tornou-se avassaladora. Nos dias mais recentes a nível nacional e internacional têm aparecido vários fenómenos deste género, daqueles que procuram criar um facto unânime e não deixar qualquer alternativa, mas que não deixam de levantar dúvidas. O primeiro "facto" diz respeito ao novo Presidente da CGD, um senhor chamado Domingues, de que nunca se tinha ouvido falar, que primeiro foi apresentado como um guru salvífico, e…

O Expresso ao Sábado

Como muitos da minha geração há mais de 30 anos que leio o Expresso ao Sábado. É uma espécie de ritual, como tentar tomar o pequeno-almoço num local simpático, ou outras coisas que se fazem ao Sábado.
Todavia, há uns anos a esta parte, desenvolvi uma espécie de relação dialética com o jornal. Leio-o, essencialmente para perceber aquilo a que se chama a oligarquia pensa. Mas não o levo a sério como jornal, apenas como órgão oficioso do poder. Dentro do órgão existem algumas ilhas livres que vale a pena acompanhar, como os artigos de Miguel Sousa Tavares, a maior parte das vezes, os de Clara Ferreira Alves, uma vezes, Vieira Pereira, outras vezes, e a poesia escolhida de Nicolau Santos, mas pouco mais.
Neste fim-de-semana de Outono, a história repete-se.
O conteúdo mais interessante do  primeiro caderno do jornal são duas páginas de publicidade paga de Marinho Pinto, em que de forma incisiva e muito clara descreve o funcionamento anormal do parlamento europeu, do qual se chega à conclusão …

Cadernos da Nova Direita Liberal III-Relações Externas

Portugal, desde a sua formação, nunca foi um país fechado. Pelo contrário, para a sua fundação contribuíram os borgonheses, para a conquista de Lisboa várias nacionalidades, em que se destacaram os ingleses. O primeiro bispo de Lisboa foi inglês. Quando a parte continental europeia foi conquistada o país seguiu o seu desenvolvimento para África e as ilhas adjacentes e depois por aí fora. Esta tendência cosmopolita foi permanente até ao 25 de Abril de 1974. Nessa altura o país viu-se reduzido, não à sua formulação mínima, mas quase. Em virtude disso, a orientação dominante da política externa portuguesa foi de encontrar um lugar na Europa. Conseguiu esse objectivo com a adesão à CEE, o que além de colocar Portugal como país europeu, lhe permitiu consolidar a democracia e receber um fluxo intenso de fundos que contribuíram para o seu desenvolvimento (embora pareça existir um certo consenso que esses fundos poderiam term sido melhor aproveitados). Contudo, é hoje patente que Portugal tem al…

A falta de carisma da TVI

Estava uma pessoa a fazer um zapping televisivo quando aparece Sócrates na TVI. Sempre que Sócrates fala, o interesse pessoal e profissional leva a ouvi-lo. E assim se fez colocando a televisão no início da charla de Sócrates. A apresentadora Judite de Sousa começou por informar os espectadores que a prelecção de Sócrates estava sujeita a condições que eram apenas se falar do livro Carisma, publicado pelo próprio. Um mente estulta como a minha pergunta-se, a TVI promove um livro e ainda aceita condições? Qual o interesse de ouvir Sócrates falar sobre um livro? Isto depois do frete que já tinha sido a malfadada entrevista de Sócrates a José Alberto de Carvalho. Mas a TVI não tem vergonha e desde que elegeu um Presidente da República e se arvorou em defensora da ditadura angolana, acha que tudo pode, e para já tudo tem podido. Bom. lá se ouviu Judite de Sousa começar com perguntas parvas sobre o Carisma e Sócrates responder seguindo genericamente o artigo da Wikipedia em inglês (pelos vis…

Cadernos da Nova Direita Liberal II- A Educação

O FASCISMO NA EDUCAÇÃO DO SÉC. XXI EM PORTUGAL
Anda um desastre a pairar pelo Ministério da Educação com duas asas. Uma é o ministro, descoberto num laboratório de Cambridge onde terá absorvido aquela mistela de marxismo envelhecido coberto de jargões modernos que pulula nalgumas universidades inglesas. Mas lá é inofensivo, porque esses académicos utópicos não saem dos seus jardins e relvados, e não querem sair, apenas provocar a reflexão e o espírito crítico. A outra asa é a empenhada secretária da Educação, professora da faculdade de Direito de Lisboa, nora de Jorge Miranda. Por a conhecer pessoalmente, não comento. Estes dois estão empenhados em destruir em definitivo o sistema educativo português com as suas ideias marxistas que acabam por se traduzir num fascismo educativo inusitado. Dois exemplos recentes. Por alguma razão, os iluminados governantes pensam que as escolas privadas deturpam com as suas notas as classificações de acesso ao ensino superior. A solução é "mexer"…

Elogio a Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho é impopular e desprezado pela oligarquia portuguesa (termo emprestado de Rui Ramos, ele também em parte um membro dessa oligarquia que critica com inteligência). A última manifestação desse desprezo foi a forma como um homem chamado Domingues, que parece que é Presidente da CGD, e que por não ter dinheiro para fazer a barba teve que negociar um ordenado muito elevado, destratou o antigo primeiro-ministro respondendo-lhe sem mais nem menos a um comentário que este tinha feito numa entrevista. Também no passado Domingo o arauto de Belém anunciou os planos da oligarquia, que assentam no afastamento de Passos Coelho após as eleições autárquicas de 2017 e a nomeação de alguém mais maleável que dê a mão a Costa e a um segundo governo PS, afastando os "perigosos" esquerdistas do PCP e do BE. Há, portanto, uma unanimidade. A condenação de Passos Coelho ao ostracismo político. Contudo, foi esse mesmo Passos Coelho, que com maior ou menor sapiência, afastou Portugal do…

Cadernos da Nova Direita Liberal. Apresentação

O professor Nuno Garoupa discorreu recentemente sobre a necessidade de se apresentar uma nova direita com um pensamento actualizado para Portugal. Não podia estar mais de acordo.  As experiências da direita no poder nos últimos 16 anos foram inconsequentes e acabaram em derrotas.  A primeira experiência, aquela de Durão Barroso e Santana Lopes foi igual a zero, e criaram o político mais desprezado em Portugal: Barroso, e aquele que é menos levado a sério: Santana. A segunda experiência, a de Passos Coelho, limitou-se a ressuscitar, e com isso entusiasmou alguns, o velho mantra salazarista das finanças equilibradas, e deixou vingar um certo activismo judicial ( o que não é de esquerda, nem de direita). É verdade que Passos Coelho se revelou um líder interessante e determinado, mas o gosto final destes anos é amargo. Hoje a direita não apresenta nada para Portugal, apenas a manutenção das políticas salazaristas (curiosamente também mantidas no essencial pelo governo das esquerdas). Se é ver…