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Fosun e BCP. A falta de racionalidade da operação

O grupo chinês Fosun vai entrar no capital do BCP, agora que a Sonangol não tem dinheiro.  Segundo informações públicas, a entrada desse grupo obrigou o governo português a mudar a lei aprovando um regime que permite "às sociedades admitidas à negociação em mercado regulamentado procederem ao reagrupamento das suas ações, fora do âmbito de uma redução do capital social". Simultaneamente, parece que o grupo chinês beneficiará de um desconto de 10% face ao valor das acções de mercado. Chineses, angolanos, paquistaneses, russos, alemães, americanos, haitianos, todos são bem-vindos ao mercado português, desde que venham jogar segundo as regras, sejam credíveis, e as operações decorram de modo transparente, e no fim deixem dinheiro para Portugal e os portugueses. Mudar uma lei para agradar a um investidor é logo algo que levanta suspeitas. Conceder um desconto de 10% numa altura em que as taxas de juro são baixíssimas, bem como as cotações do BCP, é uma enormidade.  O BCP já se apres…

A aliança Sócrates – Costa

Não é possível imaginar que a ofensiva política, e pública, de José Sócrates esteja a ser feita contra a vontade ou sem conhecimento de António Costa.  O “negociador” incensado pela Imprensa não poderia deixar os seus créditos (e o seu futuro) por mãos alheias, até porque Costa precisa de Sócrates e Sócrates precisa de Costa. Sócrates, já o reconheceu, quer ser Presidente da República. Enquanto não o puder ser, ou se pura e simplesmente não o conseguir ser, contentar-se-á com a chefia do PS, o que é natural. E, naturalmente, com o cargo de primeiro-ministro. Costa não o pode querer. É por isso que o alheamento de Costa face à ofensiva de Sócrates é só aparente. Se não há uma aliança clara e organizada entre os dois, há pelo menos um pacto de não agressão que não nasceu de geração espontânea. Sócrates, como se tem visto, tem o PS na mão, dominando parte da clique dirigente e muitos sectores intermédios.  A demora na acusação da “Operação Marquês” (não por falta de indícios mas pela abundânc…

O governo dos mágicos !

Assombro! Assombro é a palavra que explica o que sinto face às notícias que o governo transmite. O ministro da saúde anunciou que no fim das contas a passagem das 40 horas para as 35 horas semanais tinha ficado mais barata. Assombroso! Primeiro, ainda julguei que ficava mais barato trabalhar apenas 35 horas  do que trabalhar as 40 horas, mas depois percebi que não era assim tão assombroso. Afinal, somente a transformação tinha ficado mais barata que o previsto. Ainda que menos assombroso, assombroso na mesma. Mas, assombro maior é o que resulta dos números da execução orçamental. Num país estagnado, o déficit diminui e a despesa, como asseverou o novo oráculo dos Domingos, está controladíssima.  Temos um governo de mágicos! O governo de Passos Coelho, Vítor Gaspar e Maria Luís, que têm aspecto de durões nunca conseguiu estes milagres- todos os meses havia derrapagens e rectificações-, agora surge Centeno de Harvard, com aquele ar de "nhanhas" e controla a despesa. Fantástico. Qu…

O livro de Saraiva, José Sócrates, Paulo Portas e outro assunto

Pedro Garcia Rosado já escreveu no Tomate, e bem, sobre o livro de José António Saraiva. Não vale a pena repetir. Vale sim referir aquilo que é referido sobre José Sócrates e o impacto da sua licenciatura nula, bem como a conivência da justiça com o ex-primeiro-ministro. Na página 156 do livro Saraiva refere uma confidência de Durão Barroso,  que teria afirmado que o problema da licenciatura o tinha afectado (a Sócrates) e que num país normal tal evento tê-lo-ia forçado a demitir-se. Tem razão Durão Barroso. A questão da licenciatura foi, e é, o calcanhar de Aquiles de Sócrates, sempre presente, que demonstrou a sua vacuidade e inconsistência. Daí o ataque frontal à Universidade Independente. E só não levou à demissão de Sócrates porque Cavaco Silva se acobardou e não quis levantar ondas, como confirma Fernando Lima no seu livro. Sobre este assunto mais uma clarificação bem-vinda. Anteriormente, na página 85, José António Saraiva conta que um dia Freitas do Amaral lhe apareceu apavorado p…

Abençoado euro!

O sistema financeiro e económico que decorre da inclusão de Portugal na zona da moeda única da União Europeia é bom para o País ou não? Numa perspectiva doutrinária e económica, pode ser…como não ser. As opiniões variam e quase todas elas são merecedoras de atenção. Há, no entanto, uma inegável vantagem para Portugal, neste preciso momento: a moeda única e a nossa integração na Zona Euro são as únicas fronteiras ao desvario absoluto do governo da coligação PS-BE-PCP. Vivemos, de certo modo, e de uma maneira que ainda alimenta muitas ilusões (embora em regime de pensamento mágico), um segundo PREC.  O Processo Revolucionário em Curso (o chavão que acabou por caraterizar essa época) de 1974 – 1975 teve uma componente de tentativa multifacetada de controlo do poder político e económico por parte da esquerda e das várias extremas-esquerdas. Havia militares armados de um lado e do outro. O PS, seguro de que o poder viria a ser seu, distanciou-se desde cedo do PCP e dos restantes extremistas. …

As velhas ideias da nova Mariana

Mariana Mortágua é mulher, nova, bonita e idealista.  Curiosamente, estas excelentes qualidades têm sido aquelas que mais têm sido criticadas e objecto de ataques. Todavia, estes são aspectos bons a realçar na nossa deputada. O seu problema são as ideias. Ideias velhas, burras e que condenam o país à indigência.  Mariana anda entusiasmada a defender novos impostos. Nada de novo nisso. O anterior governo da suposta direita fez o mesmo. Apenas agora se tentam afinar as incidências dos impostos, mas o problema é sempre o mesmo, há impostos a mais, e isso é mau, e redutor das potencialidades da economia. Quem está no governo tem uma imaginação pródiga na busca de fontes de receitas públicas. As diferenças não são entre direita e esquerda, são entre estatistas (quase todos) e anti-estatistas (quase ninguém). E o facto de Portugal ser um país de estatistas, de direita ou esquerda, é que o torna alvo fácil dos apetites de políticos demagógicos e com tendência a querer lançar impostos. Portanto,…

A indignação contra “Eu e os Políticos”: uma lição de hipocrisia

Há por aí, segundo consta, um livro que conta “segredos sexuais” ou “revelações sexuais” dos políticos. Parece mal, há até quem diga que é crime, todos aqueles que exigem “transparência” aos políticos choram lágrimas de indignação.  Trata-se de “Eu e os Políticos”, de José António Saraiva (ed. Gradiva), que foi director do “Expresso” e do “Sol”, que (suscitando todas as mais piedosas inquietações) até tem um buraco de fechadura na capa e uma apresentação algo sensacionalista: “O que não pude (ou não quis) escrever até hoje – O livro proibido”. Fui comprá-lo e lê-lo, tendo assim cometido um pecado, um sacrilégio ou um crime (depende do grau da indignação encenada). Encontrei 260 páginas de apontamentos memorialistas sobre 42 figuras públicas, das quais nem todas são políticos. E encontrei “segredos sexuais”? Bom, nas 260 páginas informa-se o leitor de que: 1. P. P. é homossexual – como se não corresse há anos a informação e nem foi necessária a reportagem do jornalista Rui Araújo no “Le P…