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Está tudo bem

Os trabalhadores da função pública já devem estar a ganhar dinheiro como ganhavam em 2009. Os professores também, com as carreiras desbloqueadas e adequadas condições de trabalho nas escolas. O pessoal das empresas de transportes públicas até já deve ter quem o substitua a trabalhar, ganhando um subsídio qualquer pelo trabalho dos outros. Os enfermeiros já não emigram e ganham tanto como a função pública. Os jovens já não emigram e abrem empresas (financiada pelo Estado) a cada esquina para lhes dar trabalho. O desemprego caiu para metade. Os hospitais públicos estão a ampliar-se a vários metros quadrados por dia e as taxas moderadoras desceram para 0,50€. Já não se pagam outra vez as portagens nas SCUTs.  O leitor não acredita?! Então como é que explica a ausência do Arménio Carlos, do Mário Nogueira, da Ana Avoila e de tantos outros sindicalistas que antes nos assombravam os televisores dia sim, dia não? Foram-se embora? Morreram? Reformaram-se? Foram de férias para a Coreia do Norte…

É por essas e por outras...

Estupefacção é a palavra que descreve os sentimentos ao ouvir Cruz, a antiga ministra da Justiça a falar de "salazarismo bafiento". Esta foi a mulher que levou o Código do Processo Penal para os tempos da Inquisição, esta foi a mulher que contribuiu para encher as prisões de Portugal, esta foi a mulher que só produziu legislação para restringir os direitos fundamentais e vem falar de salazarismo? Não, definitivamente não. É por essas e por outras que apesar das completa confusão que se instalou em Portugal, o PSD deixou de inspirar confiança, tornou-se uma espécie de partido contra as pessoas, ao invés do personalismo que inspirava Sá Carneiro. Enquanto, as Teixeiras da Cruz desta vida forem as porta-vozes deste partido, não há confiança que perdure, por muito que Passos Coelho a inspire ( e inspira).
Temístocles Menor

Quem muito fala pouco acerta

Há qualquer coisa de estranho neste Presidente da República que fala sobre tudo e sobre nada, que parece ainda um candidato em campanha e que não perde uma oportunidade de amparar um governo de incertezas e de moralidade política controversa.  É certo que Marcelo Rebelo de Sousa goza de um alargado estado de graça, que tem a ver com a dinâmica da sua vitória presidencial e com o seu fascínio de décadas pelos microfones. É certo, ainda, que tudo isto é o seu estilo pessoal e que contrasta muito com o anterior Presidente da República e também com praticamente todos os primeiros-ministros e ministros destes 42 anos de democracia (excepto, talvez, com Pinheiro de Azevedo). Mas, por outro lado, esta estranheza também faz pensar.  Marcelo Rebelo de Sousa é um indivíduo extraordinariamente (e intuitivamente) inteligente. E já deve ter feito um balanço muito privado deste seu desempenho, sendo de acreditar que, se o mantém, é porque ele não lhe suscita muitas reservas. Ou, então, até o está a fa…

Jogo de Costa: a dependência dos mercados

Talvez, depois de dias de aturada reflexão e leitura de comentários e comentadores variados, tenha percebido o jogo de Costa e a razão de tanta displicência com as finanças e a economia. Costa está-se nas tintas para o Tratado Orçamental (faz bem) e para as exigências do FMI, BCE e Comissão Europeias, embora faça o devido "lip service" com a ajuda do Presidente Marcelo. Na realidade, paulatinamente Costa vai re-introduzindo a política económica de Sócrates: gastamos e depois logo se vê, ou como dizia Napoleão "On s`engage et puis on voit". A aposta de Costa é política, espera que a Europa tenha mais que fazer do que se preocupar com Portugal, quando tem a Espanha, a França, a Itália, a Finlândia e tantos outros em dificuldades, assim, discretamente, vai ignorando com um sorriso afável todas as preocupações europeias. Exemplo disso, além do Orçamento e do Plano de Estabilidade é o Plano Nacional de Reformas, que não tem Reforma nenhuma, apenas intenções e formas de ga…

Mergulhar...

Qualquer pessoa que queira ter alguma racionalidade na confusão que se tornou a economia portuguesa desesperará. Não há dia que não surjam relatórios, previsões, planos e catástrofes anunciadas. Depois vem o governo anunciar que está tudo bem. Não estará de certeza. Uma economia que não cresce, 1% é pouco ou nada, uma economia em que só aumentam os preços dos sectores monopolistas, uma economia em que a força jovem qualificada de trabalho emigra, mas em que se continua a distribuir prebendas a torto e a direito não pode estar bem. A questão é quando é que o trambolhão se dará? Até aí é melhor mergulhar e desistir sequer de perceber o que se passa.
Temístocles Menor

O ministro da Defesa é homem de coragem?

Não me parece. Para começar, se fosse, teria chamado ao seu gabinete o ex-chefe do Estado-Maior do Exército e o director do Colégio Militar com quem abordaria, no recato ministerial, o problema da alegada discriminação.  Pela descrição, não me parece que se pudesse, em bom rigor, falar em discriminação mas, fosse como fosse, o encontro a três teria a vantagem de manter a polémica (pelo menos na sua fase inicial) no seio da instituição militar e de quem no Governo a tutela. E talvez a coisa se resolvesse. Mas esse encontro poderia ser aspectos negativos. O ministro, que é civil (não deve ter prestado o serviço militar, o que não é uma necessidade para o cargo mas talvez o ajudasse), poderia ser confrontado por uma afirmação um pouco mais forte da parte dos dois militares. E iria fazer o quê? Sair do gabinete aos gritos de “Socorro!”? Nos jornais, afinal, está em terreno pelos vistos mais favorável, com os militares de certa forma obrigados ao silêncio. Portanto, neste caso, fica pelo menos…

Bastam os títulos de um só dia para perceber

No “Correio da Manhã” já se põe em manchete o aumento do IVA (“Governo resiste a plano B”) para 25 por cento, quando está agora a 23 por cento. O IVA é um imposto geral: aplica-se a tudo e os prestadores de serviços cobram-no (aos clientes, privados ou públicos) para o entregarem ao Estado. O público, em geral, não lhe pode fugir. Também no “Correio da Manhã”: “Ministro promete menos alunos por turma em 2017”. Ou seja, contratar-se-ão mais professores quando a tendência geral, de há vários anos, é de diminuição do número de alunos devido à diminuição da natalidade. E há mais: “Função pública recupera mais ordenado a partir de hoje”.  No “Jornal de Notícias”: “Portagens no interior baixam para todos” (e o País todo paga), “Camiões de transporte de mercadorias vão ter gasóleo ao preço de Espanha nos postos de concelhos de Bragança, Almeida e Elvas” A política deste governo, com o aplauso do BE e do PCP, é assim: criar clientelas, beneficiar as já existentes, favorecer uns contra todos os o…