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Legitimidades e Políticas, mais interrogações que certezas

Um governo tem legitimidade para o ser desde que a Assembleia da República assim o decida, seja por omissão, seja por acção. Não há qualquer outra razão para conferir legitimidade a um governo. A "convenção" que o partido mais votado deve governar não existe, isso aconteceu como fruto das circunstâncias e nada mais. Portanto, as carpidices do PaF não têm qualquer razão de ser, se queriam governar tivessem ganho com maioria absoluta. O Presidente da República é eleito por voto directo e universal, aliás é o único órgão uninominal em que isso acontece. Será talvez aquele órgão que mais legitimidade democrática tem. Por isso, a postura da esquerda relativamente a ele tem sido perfeitamente errada e condenável. O Presidente não tinha que nomear António Costa, o Presidente podia ter nomeado um Governo técnico, o Presidente poderia ter mantido Passos Coelho em gestão. O apequenamento presidencial que se quis fazer está errado. Posto isto, acabámos por ter Costa.  A política económica …

A matilha costista

Poucas horas depois de António Costa ter saído da audiência com o Presidente da República, onde Cavaco Silva lhe entregara um documento com seis perguntas, já o “Público” se apressava a anunciar, por outras palavras, que tudo o que o Presidente queria saber já tinha sido afirmado na comunicação social e em intervenções públicas. Portanto: o Presidente não tinha nada de andar a fazer perguntas desnecessárias. Três dias depois, sempre no “Público” e agora no “Expresso” (cujo director é irmão de António Costa mas de cuja independência não deveria ser necessário duvidar), só faltam os foguetes e as garrafas de champanhe. Champanhe, realce-se, porque a austeridade chegou ao fim e espumante é coisa parola para este PS em versão patos-bravos júnior.  Em três semanas, desvaneceu-se o mau ambiente que rodeava na imprensa o leilão de apoios de António Costa junto do BE do PCP e o grupo de apoio a Costa alargou-se. Mais do que antes? É coisa para se ver. O clima de guerra fria movida contra Cavaco …

As galinhas que só cacarejam ao sol

Tanto quanto se pode perceber (excepto felizes excepções) a putativa elite que o Presidente da República convocou a Belém tem servido para tranquilizar o mundo e o país acerca do Governo de Costa. Isto é, têm ido a Belém dizer que Costa está muito bem. Esta postura não é nada, apenas representa a dependência que a putativa elite tem do Estado. Como esperam que Costa venha a ser primeiro-ministro, já se põem a jeito a cacarejar ao sol a favor dele. Se fosse ao contrário também se punham a jeito a cacarejar ao sol. Desde que Costa mantenha a política de "consolidação orçamental" e de mais não sei o quê, está tudo muito bem e Costa é um excelente amigo e pessoa e primeiro-ministro.  Alguns (os banqueiros dependentes do Estado ou de Angola) até já foram comer um peixinho ao Ritz com o Costa. Portanto, uns votaram para o Costa mudar de política e outros estão muito contentes com ele...desde que mantenha a política. E isso ele vai dizendo com alegria aos banqueiros do Ritz e aos leito…

Aquilo com que não concordo

Os leitores, poucos ou muitos, dependendo dos dias, do TOMATE, ter-se-ão apercebido que este tem uma linha que oscila entre o liberalismo e a social-democracia,ou dito de outra forma entre o liberalismo de esquerda e o liberalismo de direita, consoante os articulistas, e que por isso, não tem simpatia especial por governos que arrumam o país demasiado à esquerda, sobretudo uma esquerda totalitária e com tiques conservadores. Contudo, há demasiadas coisas neste Governo PaF e no anterior PaF, bem como no comportamento da chamada direita, que estão erradas e devem ser também combatidas, tal como se combate a hipocrisia esquerdista. Um primeiro aspecto, é o da política económica desastrosa. A política seguida pelo governo foi errada, e só não se tornou mais catastrófica porque o Tribunal Consitucional chumbou algumas medidas que retirariam mais rendimento e o BCE começou o seu QE( expansão da massa monetária); isto permitiu que o país não se afogasse. Mas a verdade é que a economia está est…

As demonstrações de Cavaco Silva

Há uma coisa fantástica que Cavaco Silva está a demonstrar com a sua ponderação presidencial. É que na realidade o país não precisa de Governo. Basta uma máquina administrativa e de resto tudo já está telecomandado por Bruxelas. Assim, talvez o melhor seja abolir o governo em definitivo.
Outra coisa que está a demonstrar é que 40 anos após o 25 de Abril, Portugal continua a ser um Estado Corporativo. Basta ver esta romaria a Belém de pretensos notáveis, quase todos dependentes dos favores do Estado, portanto em cálculos complicados em quem devem apostar. Esta parte é vergonhosa. O povo foi ouvido em eleições. Estas pessoas que para aí andam não são nada. O Presidente que decida o que quiser dentro da Constituição, mas não brinque às Corporações.
Mas o essencial, é que cada vez é mais claro que Portugal viveria melhor sem Governo.
Rui Verde

Contar com o ovo no cu da galinha

Não são necessárias reuniões com banqueiros, elucubrações teóricas em pose de estadista, proclamações académicas ou telefonemas internacionais do técnico que já parece babar-se de expectativa perante a possibilidade de ser ministro das Finanças.  O segredo da política económica e financeira que a componente PS da tríade PS/BE/PCP quer levar para o Governo é este:  “Não só não reduzimos o IRC, a coligação reduz o IRC e vamos ter um aumento do conjunto de prestações e rendimentos, que permitirão aumentar o consumo – por essa via um impacto na procura e também no crescimento económico. Temos aqui este duplo efeito: um ajustamento mais moderado nos primeiros anos, e por outro lado um conjunto de medidas que tem um impacto na nossa economia diferente. Permite que a economia cresça, como permite ao Estado arrecadar mais receitas, seja por via do IRS, seja do IVA. No modelo com o qual trabalhamos, conseguimos cumprir o défice orçamental, mesmo com o aumento das despesas.” Quem disse isto, talve…

Ultimatum futurista-Almada Negreiros

ULTIMATUM FUTURISTA
Às gerações portuguesas do século XX Eu não pertenço a nenhuma das gerações revolucionárias. Eu pertenço a uma geração construtiva. Eu sou um poeta português que ama a sua pátria. Eu tenho a idolatria da minha profissão e peso-a. Eu resolvo com a minha existência o significado actual da palavra poeta com toda a intensidade do privilégio. Eu tenho vinte e dois anos fortes de saúde e de inteligência. Eu sou o resultado consciente da minha própria experiência: a experiência do que nasceu completo e aproveitou todas as vantagens dos atavismos. A experiência e a precocidade do meu organismo transbordante. A experiência daquele que tem vivido toda a intensidade de todos os instantes da sua própria viva. A experiência daquele que assistindo ao desenrolar sensacional da própria personalidade deduz a apoteose do homem completo.  Eu sou aquele que se espanta da própria personalidade e creio-me portanto, como português, com o direito de exigir uma pátria que me mereça. Isto quer diz…