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É necessária uma alternativa?

O discurso político ficou de tal modo polarizado entre PaFs e Socialistas que a grande questão não é  discutida: É necessária uma alternativa à política seguida nos últimos anos?  É que estranhamente o que vai parecendo das discussões entre Socialistas e demais esquerda é que se procura um programa que não difira assim tanto do PaF. E o mesmo asseverou o Senhor Presidente da República ao falar nas opções estratégicas da democracia que não deveriam ser mudadas. Mas a questão real é essencialmente a necessidade de uma alternativa, não em termos de partidos políticos, mas em termos de orientação política. Nos últimos anos ( e esta expressão envolve os Governos Sócrates e Passos Coelho, pelo menos) a Justiça tornou-se um problema, pela sua instrumentalização política, pela derrogação dos Direitos Fundamentais, pelo início do desmantelamento do Estado de Direito. Este é um primeiro problema que tem que ser confrontado: a diminuição das liberdades individuais e  a manipulação da justiça. Um seg…

A liberdade de imprensa constará do acordo secreto?

Miguel Sousa Tavares é jornalista, foi advogado, escreveu alguns romances de êxito e tem dois espaços de opinião com audiência assegurada no “Expresso” e na SIC. É filho de duas figuras ilustres: Sophia de Melo Breyner (poetisa) e Francisco Sousa Tavares (advogado e político) e tem uma relação familiar com o banqueiro Ricardo Salgado. Tavares foi uma das vozes, entre jornalistas, comentadores e articulistas, que apoiou António Costa, o secretário-geral do PS que quer ser primeiro-ministro à viva força. Tavares não gostava de António José Seguro (oriundo da província e que resolveu fixar-se na província) nem de Pedro Passos Coelho (oriundo da província e que resolveu fixar-se numa zona suburbana da capital).  Nem Seguro nem Passos Coelho pertenciam ao pequeno mundo da intelectualidade lisboeta. Como Tavares, Costa também proveio dessa origem, filho do escritor Orlando da Costa e da jornalista Maria Antónia Palla (que não se opôs ao fecho, por José Sócrates, da Caixa da Previdência e Abon…

O significado das palavras de Sócrates

José Sócrates pode estar inocente, deve ser considerado inocente da prática de qualquer crime até ao trânsito em julgado de qualquer condenação.  No entanto, a inocência da prática de crimes é uma coisa. Fazer de todos parvos,é outra coisa. Disse Sócrates, aplaudido por duzentos fiéis histriónicos, que também aplaudiriam o bezerro de ouro da Bíblia, com o mesmo entusiasmo alucinado, que está a ser perseguido pela Justiça e que esta é politicamente manipulada.  O significado das palavras de Sócrates é que ele sabe do que fala, foi primeiro-ministro e esteve na origem de muitas das leis que agora serão utilizadas para o perseguir.  Se Sócrates acha que a Justiça sai dos limites do Estado de Direito é porque já viu isso acontecer, se Sócrates acha que a Justiça está a ser manipulada é porque já viu isso acontecer. E viu. Enquanto foi primeiro-ministro, uma boa parte da Justiça foi utilizada por ele para perseguir pessoas, fechar universidades, criar o opróbrio naqueles que não têm capacidade…

Uma questão de dignidade

António Costa, em 4 de Outubro, devia ter agido com dignidade: ou demitindo-se do cargo de secretário-geral do PS ou declarando que o PS, como partido derrotado nas eleições, assumiria no Parlamento o lugar e a função de principal partido da oposição. Depois disto, e só depois disto, é que poderia dar-se, abertamente, aos derriços que até talvez já antes desejasse com o BE e o PCP. Apressando-se a fazê-lo antes de o Parlamento entrar em funções, Costa mostrou (mesmo que por uma eventual pureza de carácter, contra todas as evidências) que a sua tentativa de conúbio com a jovem Catarina e o ancião Jerónimo não visava mais do que chegar ao poder. Não para o PS, ou em nome de uma bizarra “frente popular”, mas para seu próprio e exclusivo proveito.  Ao fazê-lo foi longe demais. Deixou o País à espera da concretização dos seus próprios planos. Andou a ziguezaguear em jogos florais negociais. E não o fez da melhor maneira.  Quando foi ao encontro do Presidente da República com o desafio de que “…

Vamos às compras?

Há dinheiro. Não se sabe onde, mas há. Ainda bem. Para os funcionários públicos e para as suas famílias, que verão (se é essa uma das bases do extraordinário entendimento entre o PS e o BE, como o “Expresso” anuncia) os seus salários repostos na totalidade em 2016. Calcula-se que os reformados também serão abrangidos. E que a sobretaxa do IRS também será devolvida na íntegra e não gradualmente. E, já agora, que o sector da restauração terá descida do IVA (e por que raio é que hão de ser só eles a terem de entregar menos IVA ao Estado?!). A seguir na lista devem estar as empresas de construção civil, sobretudo as amigas do PS, a receber mais obras públicas. Deve ser isto a essência do entendimento entre o PS e a extrema-esquerda do BE e do PCP. Porque o essencial é o dinheiro. Que vai impedir os protestos dos trabalhadores da função pública e das autarquias e de tudo quanto depende do Estado, dos professores aos guardas prisionais. E – atenção: promessas! – dos “lesados do BES/GES” a quem…

Sócrates: Justiça e Política

Não tenho qualquer dúvida que o processo Sócrates teve um aspecto político, que ia além da eventual culpa e inocência do mesmo. Escrevi-o no meu livro Juízes: o novo poder.  Quando vejo o timing que este processo tem tido e as intervenções de cada juiz, vejo ainda de forma mais clara, demasiadas coincidências. Sócrates foi preso na véspera do Congresso do PS que ia entronizar Costa. Decisões sobre Sócrates foram tomadas sempre perto de momentos mediáticos do PS de Costa e acima de tudo, Sócrates foi libertado depois das eleições legislativas, tendo o M.P. esticado o máximo essa libertação para depois de 4 de Outubro. Por outro lado, Rangel é, e sempre foi próximo do PS e de Sócrates. Há uma pergunta que se coloca: o que aconteceria ou acontecerá judicialmente a Sócrates se Costa for primeiro-ministro.  É evidente que a política e a justiça estão misturadas e que muitos (não todos) magistrados estão permeáveis a essas influências. Não vale a pena pensar o contrário. Rui Verde

"Se cá nevasse fazia-se cá ski"

Esta frase, tipo verdade de La Palisse, tinha um sabor especial: se o leitor a pronunciasse depressa, até parecia estar a falar russo. A associação de ideias implicava a vastidão dos desertos gelados e a neve e, se cá nevasse, fazia-se cá ski. É como o título do "Público" de hoje: "Passos conta ser indigitado mas não tem essa garantia". É um título jornalístico tão inteligente como poderia ser este: "O Benfica conta ganhar o jogo mas não tem essa garantia". Ou como este: "Se os animais falassem, também faziam jornalismo.
Costa Cardoso