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O polifascismo e a necessidade da revolução anárquica

Rui Verde
Há um espectro que desce ameaçador, indistinto, mas sugador sobre os cidadãos dos países desenvolvidos.  Esse espectro retira a liberdade, oprime o indivíduo, deixa-o sem defesas. Em última análise termina com a personalidade, a pessoa, o homem. Há falta de melhor nome chamemos-lhe Polifascismo. Tal como o fascismo tem tendências totalitárias, quer a submissão do cidadão, verga-o. A única diferença é que agora não é o fascismo de um estado, mas de várias organizações, entre as quais o estado. Há várias organizações fascistas, lideradas por tiranetes, por kleine Führers que esmagam o cidadão. Esses kleine Führers constituem aquilo a que o historiador Rui Ramos chama a Oligarquia e domina os países ditos desenvolvidos. Vejamos vários exemplos do Polifascismo. O estado deixou de ter um código de processo penal e passou a ter um código de processo inquisitório em que o arguido é esticado e espremido até à exaustão. Um instrumento fascista. O estado deixou de ter uma administração fisca…

Eu era mais uma torradeira

António Costa reuniu-se com “a cultura” e já nem prometeu um “Ministério da Cultura” mas um “Governo da Cultura”. E prometeu mais o quê? Não se sabe.  Mas, a avaliar pelas caras de fome de muitos membros da “cultura” à volta da mesa, deve ter prometido mais alguma coisa do que o almoço. Que nem se sabe se foi grátis, embora conste que não os há grátis. A “cultura” que foi empolgar Costa não fez dançar, infelizmente, que é uma das imagens mais marcantes desta campanha. Mas seria interessante saber quem é que lá estava.  Por duas razões: parte da “cultura” portuguesa vive do Estado (dos subsídios para o cinema “de arte e ensaio” aos concertos pelas câmaras municipais) e tem andado a viver pior nos últimos anos, como o mostrou o episódio do cantor que emigrou para o Brasil porque as câmaras andavam a comprar-lhe menos concertos; e Costa tem andado a prometer tudo... e um par de botas. Aos professores prometeu o fim da prova de acesso à carreira (que não toca a todos e que reduz a entrada de …

A prova indesmentível do tratamento de favor que tem Costa na imprensa

Há dois quadros que a edição deste sábado do “Expresso” publica na sua página 26 que deviam pôr os jornalistas a corar de vergonha e, se por acaso a tivessem, a fazer um acto de contricção. São quatro quadros que se referem, dois, à comunicação social e, os outros dois, às redes sociais Facebook e Twitter e que medem o “impacto mediático” de dirigentes partidários e de partidos em cada um desses meios. O período abrangido é significativo: vai de 15 a 24 de Setembro deste ano, apanhando já a fase mais renhida da disputa pela vitória nas eleições do próximo domingo. A fonte é uma empresa de relações públicas e comunicação, a Cision. Deixando de lado o Facebook e o Twitter (onde escreve, lê e frequenta quem quer) e ficando-nos apenas pela comunicação social, estes quadros mostram que: 1 – António Costa ganha em “impacto mediático” contra Pedro Passos Coelho por 36,45 por cento contra 27,7 por cento; 2 – O PS ganha em “impacto mediático” à coligação Portugal à Frente (PSD/CDS) por 39,7 por cen…

Nicolau e a insustentável leveza da ignorância-caviar

Nicolau Santos, o director- adjunto do Expresso, que representa a esquerda-caviar e esperava em breve voltar em breve ao champanhe e caviar da era socrática, espelha no seu texto de hoje (28-09-2015) no Expresso Curto o desespero e estupefacção que se apoderou dos bem- pensantes que acompanharam alegremente Sócrates na destruição do país. Escreve o ilustre jornalista com indignação “E ninguém debate os últimos quatro anos, os 485 mil emigrantes que vão de engenheiros, economistas e médicos a investigadores, enfermeiros e bombeiros”. Esquece-se que a mobilidade do trabalho é uma das condições estruturais duma zona monetária como é o Euro. Portanto, o normal é quando um país está em crise, as pessoas emigem para um com melhores condições, dentro da mesma zona monetária (Euro). Se não queria emigração, não aderia ao Euro… Acrescenta o ilustre jornalista ainda mais indignado “os cortes nos salários da Função Pública e nas pensões dos reformados, a desmotivação completa dos funcionários públ…

Uma questão de estabilidade

Quando, em 2010, o então ministro das Finanças de José Sócrates, Teixeira dos Santos, começou a anunciar as políticas de austeridade (sim, o PS teve-as) com o corte dos salários na função pública, não se venderam livros durante vários dias. Foi o que me disse, na altura, um editor, ele também incrédulo com o anúncio dessa austeridade depois de, um ano antes, o governo do PS ter diminuído a taxa máxima do IVA e aumentado os salários da função pública. Afinal havia crise e não era pequena. E em Abril de 2011, quando o governo do PS (sim, que foi ele) chamou a Troika, o que já se perfilava era mais austeridade depois do que parecia ser um ciclo dourado de muitas obras públicas (sempre um brinde para uma parte significativa do universo empresarial nacional) e de grandes projectos mas que afinal era uma descida bem inclinada para a bancarrota.  A economia sofreu os efeitos de um duche gelado e, com a contracção do mercado interno, muitas empresas voltaram-se para as exportações. O turismo não…

Défice de honestidade

Justifica-se citar aqui o insuspeito “Público” e a nota “Nem tanto ao défice nem tanto à dívida” (da sua direcção editorial, de 23.09.15).  O “Público”, onde tem sido notório o alinhamento editorial pelo PS, escreve, a propósito do aumento (estatístico) do défice por causa do Novo Banco: “As regras de contabilidade exigiam que o dinheiro injectado pelo Fundo de Resolução no Novo Banco fosse contabilizado para efeitos do défice e da dívida, caso a venda não fosse concretizada no período de um ano. Como tal, o défice do ano passado, altura em que se deu a injecção de capital, aumentou de 4,5% para 7,2%. (...) Tal como explicou Pedro Passos Coelho, estamos a falar de uma operação contabilística que não exige um esforço adicional aos portugueses para equilibrar as contas públicas e que em nada compromete as metas para este ano.” Ou seja: não serão necessárias medidas excepcionais como aumento de impostos, cortes nas despesas do Estado, etc. O défice de 2014 está definido e o caso do Novo Ba…

As patas na poça

Podemos, em termos práticos, dizer que temos dois défices das contas públicas: o que resulta do desequilíbrio entre as receitas e as despesas do Estado (que obriga a medidas extraordinárias de aumento de receitas, como os impostos) e o que é simplesmente estatístico, ou contabilístico, e resulta de uma despesa extraordinária que fica apenas contabilizada. No primeiro, estamos bem quanto a 2014; no segundo, como o Novo Banco não foi vendido, o Estado não recuperou ainda o que emprestou. Este problema ocupou ontem grande parte da campanha eleitoral. A coligação governamental defendeu-se, o conjunto das oposições tratou do assunto como se este défice contabilístico fosse o défice normal e resultado das políticas do governo que combate. E o que nos diz a imprensa hoje, quinta-feira, de manhã? Que há esse défice contabilístico e que o tema agitou a campanha. Ou seja: até a imprensa, apesar das bolsas "costistas" que continuam a existir, percebeu qual era o verdadeiro problema. Perant…