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O Euro é um projecto político, não económico

A adesão portuguesa, e de muitos outros países, ao Euro não foi uma decisão de racionalidade económica, foi uma decisão política. Aliás, ainda recentemente a abertura dos arquivos do governo alemão referentes aos anos de 1994 1998 demonstrou que quer Helmut Kohl, quer os seus conselheiros e assessores, estavam perfeitamente cientes que a Itália não tinha condições económicas e financeiras para aderir ao Euro, mas decidiram essa adesão baseados em critérios basicamente políticos. O embaixador da Alemanha em Itália à época confirma que existiu uma “flexibilidade construída” entre os decisores políticos quando se tratava da aplicação dos critérios de Maastricht. E da leitura dos vários documentos alemães (com análises do adido financeiro da embaixada em Roma, Barão Stenglin; do Embaixador Dieter Kastrup; do Secretário de Estado no Ministério das Finanças Jurgen Starck, do conselheiro de Kohl, Horst Kohler, principal negociador do Tratado de Maastricht ou de Klaus Regling, alto funcionário…

O problema da economia portuguesa hoje

O problema da economia portuguesa durante a primeira década do século teve duas vertentes: 
1-Por um lado o Estado aumentou a dívida exponencialmente nos últimos anos, sem o correspondente aumento da produção de bens e serviços, tendo como resultado a crise financeira. Vê-se, por exclusão de partes, que o Estado e a sua clientela foram os grandes beneficiários do Euro pois obtiveram muito dinheiro a baixo custo que desbarataram alegremente ( e assim se percebe os casos Sócrates, BES, etc.). Há que sublinhar, o sector privado não beneficiou com o Euro, só o Estado “and friends” que promovendo um tremendo efeito “crowding out” (um aumento da despesa pública provoca uma diminuição ou cessação do investimento privado porque não há dinheiro disponível para ambos) se banhou em Euros. 
2-Por outro lado, nunca houve condições para aderir ao Euro e tal adesão foi feita de forma artificial com isso provocando um crescimento ínfimo da economia. Portugal não constituía uma zona monetária óptima com…

Colectânea angolana I

Escritos de Rui Verde- Junho/Julho 2015 publicados na MakaAngola e no Club-K
O Direito Não Deve Ser Uma Anedota em Angola
Se visse um elefante amarelo a dançar na baía de Luanda não ficaria mais estupefacto do que quando li sobre as questões levantadas no recente interrogatório a José Gama feito pelo Ministério Público.Aparentemente, nesse interrogatório, a investigadora estava interessada em saber detalhes sobre ligações ao Club-K e a Rafael Marques.A questão é que a actividade do Ministério Público, como de qualquer órgão do Estado, está sujeita à lei e não depende do arbítrio do funcionário.Se o Ministério Público estivesse a investigar algum crime eventualmente levado a cabo por Rafael Marques ou pelo Club-K, e José Gama fosse testemunha, teria sentido, no âmbito desse inquérito, fazer perguntas sobre ambas as entidades. Não correndo, aparentemente, o interrogatório nesse âmbito, não pode o Ministério Público fazer perguntas que extravasem o seu mandato.A grande exigência que se dev…

Oposição escondida com rabo de fora

O Governo, que gere as contas do Estado (e não importa, neste caso, se bem ou mal) anunciou que devolveria no próximo ano uma parte da sobretaxa do IRS cobrada este ano. O valor "oficial" desta previsão é de 130 milhões de euros e a decisão, como sabe qualquer leigo da política, cabe ao(s) partido(s) que estiver(em) no Governo em 2016. O actual governo pode assumir esse compromisso porque pode dizer o que fará e as decisões que toma não obrigarão, na maior parte dos casos, os próximos governantes. Mas o "Diário de Notícias", que não gosta de esconder a sua posição de jornal da oposição (tipo PS-BE), faz de conta que não é assim e titula: "Governo devolve 100 milhões [e porque é que tira 30 milhões?] se aumento da receita fiscal se mantiver e se ganhar as eleições". Portanto, para este jornal, a devolução de mesmo parte da malfadada sobretaxa, devolução que até já havia sido anunciada há meses, é uma medida eleitoralista...
Costa Cardoso

Grande poeta é o povo...

Grande poeta é o povo...

... e o "Diário de Notícias" também, mas no estilo ´"pé quebrado". Veja-se só este título: "Ataques de tubarão vão aumentar porque há mais surfistas no mar".
Yeah, meu...


Porque sou contra o novo resgate grego.

O novo regaste grego é uma falácia. Não vai resolver nada. O governo grego em vez de se focar numa alternativa ao Euro, preparando uma saída da moeda única e do espartilho que esta representa para uma economia não convergente com a alemã, focou-se em obter mais dinheiro, prometendo tudo em troca. Os alemães acabaram por contrafeitos prometer mais dinheiro esperando o cumprimento grego. Este filme é conhecido. Uma pessoa endividada e aflita promete tudo ao seu credor para obter mais dinheiro. Mas mais dinheiro só vai "tapar buracos" e não produz nada. No fim, o devedor não cumpre as promessas (porque nunca pôde cumprir) e o credor fica sem o dinheiro. Nestas situações há que assumir as perdas e iniciar um novo caminho.  Ora, mais dinheiro não resolve nada, como mais austeridade nada resolve. Assim, adiou-se um problema por mais uns meses, até o dinheiro acabar e a austeridade falhar. Voltemos ao básico: qualquer crise de finanças públicas tem que ter uma combinação de duas polít…

"Pede explicações"?!

O "pivot" televisivo José Alberto Carvalho, que nem sequer pode ser considerado "jornalista", noticia no seu espaço da TVI um problema qualquer com as notas dos exames de Português. E depois diz que o primeiro-ministro "pede explicações" ao ministro da Educação. O que na realidade se passa é que Passos Coelho, "apertado" numa intervenção pública, diz o que qualquer chefe de Governo pode dizer, quando confrontado por um bando de meia-dúzia de jornalistas sedentos de sangue e que nem parecem perceber o que perguntam: que o ministro da Educação se pronunciará sobre o assunto. Salvo se estiver em causa a autoridade do Estado ou se um ministro andar a abrir uma guerra pública contra o primeiro-ministro é que ele poderia, em bom rigor, dizer mais do que isso sobre um problema que parece ser técnico de que possivelmente nem saberá. Mas para o "pivot", a fazer de jornalista de causas nos intervalos do futebol, isto é "pedir explicações"…