Mensagens

O jornalismo invertido

O "Público" é um jornal sonso, fazendo-se sempre muito correcto em tudo, numa versão de supermercado de "a verdade a que temos direito". Mas às vezes escorrega-lhe o pé para o chinelo e sai-lhe descuido, a confirmar a verdadeira natureza do que já foi tido como um modelo de virtudes do jornalismo e hoje é a montra de todos os seus defeitos. Hoje, sexta-feira, o diário da Sonae dá-nos esta retorcida manchete, que quase é preciso ler por três vezes para perceber: "Propinas congelam em dois terços do superior e o valor máximo baixa". Doze (12) palavras para, de forma retorcida, dizer uma coisa muito simples que poderia ser escrita em português normal e apenas em oito (8) palavras: "Ensino superior congela propinas e baixa valor máximo". Teria custado muito?
Costa Cardoso
"Greve no metro de Lisboa confirma intolerância do Governo", titula o "Diário de Notícia", prevaricando em dois erros e dando cobertura a uma estúpida injustiça:
- A frase é uma citação de um sindicalista. - Ao publicá-la sem aspas, o "Diário de Notícias" está a assumir a declaração como sua e a tomar partido (contra o Governo e contra os utentes do Metro). - Os sindicalistas querem atacar o Governo mas conseguem é prejudicar, mais uma vez, as pessoas que precisam deste meio de transporte para, pelo menos, irem trabalhar.
Estas greves são uma chantagem e o "Diário de Notícias" defende a chantagem. Não perde, entre os afectados pela greve, ainda mais compradores porque também já tem muitos para perder.
Costa Cardoso

Isto não é jornalismo

No "Jornal de Notícias" sobre um vereador: "Paulo Cunha e Silva nunca se cansa, mas cansa andar com ele, não porque seja cansativo, mas porque nunca abranda." Pode ser uma redacção escolar ou um "bico" mas jornalismo não é.
Costa Cardoso

Se não chover, é capaz de estar um rico dia

1. Há, desde há muito tempo e em especial desde Janeiro (o Syriza ganhou as eleições há meses, formou governo mas ainda não governa...), a possibilidade de a Grécia sair da Zona Euro.
2. Toda a gente o percebeu, toda a gente o admite. Já não choca, se é que alguém ficou chocado. E ainda não aconteceu, aparentemente, porque o governo(?) do Syriza tem medo das consequências de tomar a iniciativa e anda a ver se os outros países forçam esse desfecho.
3. Título do "Jornal de Notícias" (domingo, 1.ª página "on line"): "Ministra das Finanças admite que Grécia pode sair da zona Euro". Lead da notícia: "A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, afirmou, na noite de sábado, que a saída da Grécia da zona euro é uma possibilidade".
4. Isto não é uma notícia, é uma readcção própria de aluno do 10.º ano que quer ser jornalista.

Costa Cardoso

O PS, o IVA da restauração e o PEC

Pedro Garcia Rosado

Se chegar ao Governo (muito francamente: espero que não), o PS vai baixar o IVA da restauração. O seu secretário-geral já o disse e devem ter-lhe brilhado os olhos ao pensar nos muitos votos que vai “comer” com isso. Mas o PEC (o Pagamento Especial por Conta) não lhe merece a menor atenção. É uma extraordinária demonstração de falta de seriedade e de demagogia. O IVA, como toda a gente saberá, é um imposto cobrado aos clientes por quem presta um serviço, faz uma venda ou produz uma mercadoria. O preço de um serviço ou de um produto tem um formato diferente: não é “xis”, é “ípsilon” mais IVA. Ou seja: quem cobra o IVA aos seus clientes tem de entregá-lo ao Estado. Pode, se tiver despesas para isso, reter uma parte do IVA que cobrou aos clientes para cobrir as despesas que teve de fazer e em que teve de pagar o IVA.  Como todas as empresas e profissionais que trabalhem por conta própria, o sector da restauração tem de fazer exactamente o mesmo: da “bica” à refeição comp…

Se é bom para o País, é mau para o "Público"

As exportações portuguesas têm aumentado e isso, diz toda a gente, é positivo para a economia portuguesa porque isso significa que entra dinheiro estrangeiro em Portugal que compensam e sustentam as empresas que investem na produção para o exterior e/ou no turismo. Mas se é bom para o País, é mau para o "jornalismo de causas" do "Público" que invoca o santo nome do FMI só quando lhe dá jeito: "O 'milagre' das exportações afinal pode não ser sustentável", titula hoje o jornal. O "afinal" revela tudo: exportar não serve para nada. Com este governo, claro. Porque se o governo fosse de António Costa, ou de Catarina Martins, por exemplo, exportar já era "cool" e se o FMI criticasse essa opção... voltaria a ser outra vez o "mau da fita".
Costa Cardoso

As mentiras sobre a Universidade Independente. Uma refutação.

De temps en temps uma figura profere aquilo que considera ser umas "verdades" sobre a Universidade Independente.  O mais recente proferidor foi o licenciado Fernando Esteves no seu livro sobre José Sócrates intitulado "Cercado".  No capítulo acerca da licenciatura do infeliz primeiro-ministro diz, e resumindo, que os dirigentes da Universidade liderados pelo seu reitor Luiz Arouca se dedicaram a enriquecer e a levar vidas faustosas à custa desta, tendo pelo meio sido preso o seu vice-reitor Rui Verde. Para comprovar tais afirmações, o autor Esteves cita um acórdão da Relação. A realidade é bem diferente.  Dois dos principais dirigentes já morreram, sem terem direito a uma justiça que lhes limpasse o nome e a honra. Luiz Arouca,o reitor, teria alguns defeitos e um deles foi associar-se a Sócrates, mas era um homem com um intelecto intenso e uma vontade de criação enorme, e certamente não enriqueceu nem viveu uma vida faustosa.A António Labisa, também morto, não lhe conh…