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Não é Nóvoa, é Névoa

Muito fraquinha, é o que se pode dizer da apresentação da candidatura a Presidente da República pelo Professor Doutor Ex Reitor Sampaio da Nóvoa. A substância foi igual a zero. Banalidades sobre o Estado Social, aquele que em tempos se chamou Estado Corporativo e depois Marcello Caetano re-baptizou como Estado Social. Só que o Estado Social acabou. Não há dinheiro, não há estrutura, não há capacidade. Inteligente era re-inventar o Estado Social ( e já agora rebaptizá-lo). De um homem de ideias (supostamente) esperavam-se ideias. O que veio? Um névoa envolta em lugares comuns. A forma foi de "enchente" para disfarçar o vazio. Lembram-se que Jorge Sampaio apresentou a sua candidatura sozinho num dia triste qualquer na FDL e ganhou depois. Sampaio enchia o vazio. Sampaio da Nóvoa esvaziou o cheio. Não é este o caminho.
Rui Verde

Vira o disco e toca o mesmo

Grande título, e maior a tolice, do "Expresso": "Pagamento antecipado ao FMI. Bruxelas desconhece - A Comissão Europeia não foi ainda informada de que Portugal quer liquidar a dívida ao FMI." A intenção foi anunciada pelo primeiro-ministro mas, como já tinha acontecido com o pagamento de parte da dívida (que efectivamente foi liquidada), o anúncio foi feito em solo português. A comunicação institucional é feita depois, como também aconteceu. Mas se, por acaso, a comunicação institucional precedesse o anúncio público do primeiro-ministro em solo português, não faltaria a mesma imprensa a gritar que a coisa era feita "nas costas do povo", ou alguma coisa parecida. 
Costa Cardoso

O jornalismo do “vale tudo” que até altera as datas da História

Catarina, mãe de dois filhos, chegou ao Luxemburgo em 15 de Março de 2011, num dia "maravilhoso" de sol (porque "não há sol no Luxemburgo" e "chovia torrencialmente" em Portugal) à procura de trabalho. Arranjou emprego, de facto, mas não deixou de ter de enfrentar dificuldades. Talvez tivesse sido mais difícil em Portugal. No Luxemburgo tem trabalhado sempre em cafés, como consta de um seu depoimento no YouTube, publicado em 30 de Maio de 2014. Catarina, de apelido Salgueiro Maia, é filha do capitão Salgueiro Maia, um das figuras militares destacadas do 25 de Abril. Esteve agora em Portugal e evocou o pai. Há dois relatos de "jornais de referência" que relatam o que agora se passou: Escreve o "Público": "Catarina Salgueiro Maia, de 29 anos, deixou Portugal em 2011, ano em que a troika chegou a Portugal e 'em que o primeiro-ministro aconselhou as pessoas a ganhar experiência no estrangeiro', ironizou, recordando os apelos do G…

25 de Abril nem sempre

O dia de ontem (25 de Abril) tinha tudo, como vinha a ver-se, para gerar grandes títulos onde se reproduziriam as afirmações, as proclamações e os desvarios (Vasco Lourenço), dos combatentes pedestres de todas as esquerdas, repetindo a liturgia da época. Mas o anúncio da renovação da coligação entre o PSD e o CDS (os partidos do Governo), cuja preparação foi feita em segredo para ser depois repentinamente marcado, estragou tudo e os principais títulos e manchetes de hoje não puderam afastar-se da notícia. Independentemente de opiniões valorativas (e da esfera política), não deixa de ter graça: há de ter sido o maior êxito mediático, se não o maior de todos, da aliança PSD/CDS desde que formou governo em 2011.
Costa Cardoso

Eleições presidenciais: os limites da ambição (2)

Quando se olha para o leque de candidatos, pré-candidatos e protocandidatos (sobretudo à esquerda, onde eles têm proliferado), notam-se em todos eles ambições. Mas são elas más? O industrial Henrique Neto, que já foi dirigente nacional do PS e deputado, tem uma ambição política: quer corrigir o rumo do País e encontrar uma via que não é a do Governo PSD/CDS nem, como agora se vê, a do PS de António Costa. Apesar de já ter tido alguns problemas com o Fisco, segundo foi noticiado, Henrique Neto pode ser considerado um “empresário de sucesso”. É interessante recordar que os presidentes desde a aprovação da Constituição em 1976 foram dois advogados que trocaram a profissão pela política (Mário Soares e Jorge Sampaio), um militar de carreira (Ramalho Eanes) e um economista que foi professor do ensino superior público e quadro do Banco de Portugal (Cavaco Silva). O “mundo real” da economia nunca esteve representado em Belém. Talvez desse jeito, um dia. Mas não é só nisso que Henrique Neto pod…

Eleições presidenciais: os limites da ambição (1)

Quem se der ao trabalho de ir ler os quinze pontos do artigo 133.º da Constituição da República Portuguesa, cotejando-os com o artigo 195.º, por exemplo, poderá ver que o cargo de Presidente da República não favorece uma grande acção política.  O Presidente pode pouco, em matéria de políticas, e é também por esse motivo que tanto se fala em “magistratura de influência”. Porque pouco mais lhe resta, em circunstâncias normais, do que a capacidade de influenciar, ou de o tentar fazer, o Governo ou a Assembleia da República, por exemplo. Por outro lado, não se pode dizer que a sua remuneração seja um factor de atracção. O Presidente da Republica não chega a ganhar 10 mil euros por mês e os gestores de topo no sector privado ganham bastante mais do que isso. A fama que advém do cargo é passageira. Com sorte e bons relacionamentos no exterior, um ex-Presidente da República pode ambicionar a um qualquer cargo institucional internacional ou a uma carreira de orador que seja bem paga. Em territór…

O milagre do PS ou a agonia.

Nestes tempos, foi apresentado com expectativa messiânica mal disfarçada (isto não é uma Bíblia, mas podia ser…ou os economistas não são apóstolos, mas podiam ser…) um documento que vai servir de base à governação do P.S. A liderar os apóstolos disfarçados, surge um simpático senhor doutorado em Harvard (chapeau!) que terá por lá feito muita coisa bem-feita, mas não aprendeu a falar e a expôr as suas ideias. Já por duas vezes ouvi a sua palavra rebuscada e fiquei na mesma (ignorância minha que venho do norte da ilha enevoada e por isso sou muito céptico em relação a brilhos). Com graça, antes de lerem o documento, as gentes do Governo apressaram-se a dizer que era uma coisa esquerdista, despesista e socrática…mas, passados uns dias a imprensa bem formada e informada, apressou-se a esclarecer-nos que o documento era algo de muito técnico, muito sério e com muito valor, que demonstrava que o PS estava preparado para governar com sabedoria. Bom, havia que ler o documento. Lido foi. Tecnicam…